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A ANSIEDADE DAS CRIANÇAS

Nos dias de hoje, tudo acontece instantaneamente e cada vez mais sofremos exigências de rapidez e do “pra ontem”. Nessa correria do dia a dia, é muito comum encontrarmos a ansiedade como modelo de funcionamento de muitas pessoas, adultos e crianças. Muitas vezes, ao ver os pequenos em uma inquietação constante, ficamos sem saber o que fazer.

É incrível a velocidade com que alguns pequenos fazem, falam e aprendem as coisas. Tudo muito rápido e intenso. Essa vivacidade vem acompanhada de uma preocupação, o desejo de acelerar o tempo, de saber e se ocupar antes de algo acontecer. Esse processo de se ocupar antes, essa PRÉ-ocupação, em níveis intensos, pode causar bastante sofrimento, principalmente para as crianças, que se antecipam para cuidar de alguma coisa, quando deveriam estar brincando e curtindo por ai com toda a fluidez que a infância tem.

A criança ansiosa vive sempre em estado de alerta, angustiada, tensa, nervosa ou irritada. Passa a ter dificuldade para dormir, relaxar e concentrar-se. São comuns sintomas físicos como dor de cabeça, dor muscular, queimação no estomago, taquicardia, tontura, formigamento e suor frio. Na verdade, essa criança tem dificuldade de viver o processo de aprendizado da espera do tempo, para lidar com o próximo momento e perceber que é só no momento presente que a gente pode realmente aproveitar e viver o que a vida nos apresenta. É uma tentativa de controle, de que as coisas aconteçam do jeito que ela quer e no tempo que ela quer que aconteça.

Lidar com a ansiedade das crianças pede a nossa paciência e a conversa no sentido de garantir para elas que nós adultos estamos cuidando para que elas vivam o momento presente. Cuidamos da segurança da casa, de fechar as portas e de observar se tem algum perigo no caminho. Cuidamos fazendo um calendário, mostrando que o tempo tem sua ocorrência e que é nesse tempo que as coisas acontecem. É fundamental trazer a criança para o agora, propondo a distração, a concentração naquele instante, naquela experiência e tudo o que ela tem para oferecer. Propondo a respiração como processo de conexão para que ela fique mais tranqüila. Isso já faz com que diminua a ansiedade dessa criança em relação à eventos e possíveis perigos. Aos poucos isso vai se transformando em uma serenidade e tranqüilidade diante da vida.

Perceba se você não é um exemplo de ansiedade, por que muito dessa ansiedade das crianças vem com o observar dos nossos movimentos de cuidado com elas. As vezes, a gente vive correndo, atrasada, culpada e nem se dá conta. A hora que a gente consegue perceber, primeiro na nossa vida como adultos, que existe esse fluxo natural da vida, do tempo das coisas e fazer toda essa pressão interna, não muda o resultado das coisas, começamos a viver essa parceria com os pequenos. Esse é um treino muito rico, uma sincera conversa entre a nossa mente com o nosso coração. A mente tagarela, sempre dando o ritmo das coisas e o nosso coração, aceitando a vida e todo esse fluxo que ela tem. É um treino importante para fazermos com as crianças: aprender a ir acalmando essa agitação mental, através da respiração, da conversa e poder seguir o coração com a confiança de que as coisas acontecem como devem acontecer. Quando passamos a ver a vida desse lugar, a expectativa que temos das coisas se transforma, porque elas estão acontecendo justamente da melhor maneira possível.

A criança que tem esse suporte desde pequena, de perceber o mundo a partir do seu coração, tem mais condição de lidar com a ansiedade, medo, raiva, julgamento e tudo o que essa falação toda na nossa cabeça traz.

Não tenha medo da mente tagarela, nem da sua e nem do seu filho. Ela faz parte do nosso funcionamento cerebral que tanto nos ajuda em muitas coisas, mas que tem suas manias. E essa tagarelice, é uma delas. Por isso, respire, se acalme e veja o que essa ansiedade está querendo de você. Pode ser somente um chamado para você fincar seus pés no chão e estar presente. Com uma presença calma, confiante, com um discreto sorriso no rosto e encontrando seu próprio eixo de equilíbrio. Entregue, confie, aceite, agradeça e tudo flui.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

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