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familia dormindo junto

A CAMA DOS PAIS É O REFÚGIO DAS CRIANÇAS

Uma vez um pai me contou: “Temos uma filha de 9 anos e toda vez que vamos dormir, esperamos ela ir para o quarto dela para fecharmos a porta do nosso quarto. Quando ela percebe que fechamos a porta, levanta, bate na porta e pede para dormir na nossa cama por que está com medo. Na maioria das vezes estamos tão cansados que preferimos deixar a menina dormir ali. No outro dia, acordo parecendo que não dormi nada e fico ainda mais cansado. Minha mulher não percebe que isso está atrapalhando nossa relação. Quando falo que devemos levar a menina para o quarto dela, ela me responde com um “coitadinha, ela é só uma criança que está com medo”. Não sei o que faço, Dra.”.

Quando ainda estamos no ventre materno temos pouco espaço a nossa volta, mas nossa mãe nos dá o abrigo necessário para sentirmos proteção ali dentro. Ao nascermos o ambiente se amplia e quando estamos longe da mãe temos a sensação de abandono. Psiquicamente a cama tem a função semelhante à barriga da mãe, é um lugar considerado seguro pela criança, por isso será seu refugio toda vez que sentir-se insegura.

Para se adaptar ao novo ambiente fora da barriga da mãe, é importante determinar um lugar que seja só do bebê para que ele entenda que o corpo dele e o da mãe estão separados.

Toda vez que o filho buscar abrigo na cama dos pais, procure entender se é realmente um medo, tristeza ou vontade de receber carinho, para que ele tenha a sensação de que você se importa com o que ele vive e sente. Mas, cuidado para isso não se tornar uma armadilha em que você tenha que suprir todas as necessidades dele e isso o atrapalhe a desenvolver suas capacidades.

Dentro do contexto familiar, cada um exerce um determinado papel que pode ser somado com os demais, mas não trocado. Por exemplo, muitas mães aproveitam as viagens do pai para colocar o filho para dormir na cama com ela. Essa atitude pode ser prejudicial quando se torna um habito em que o filho ocupa não só o espaço físico do pai como também o emocional.

Aos poucos os papéis vão se confundindo e quando menos se espera, o pai entra em uma situação que é comum o embate com o filho para ter a atenção da mesma pessoa, a mãe.

Na maior parte das vezes a mãe não percebe este conflito e não identifica que o medo de se sentir desprotegido, menos amado e inseguro, pode ser seu e não do filho. Na tentativa de evitar as frustrações de seu herdeiro, ela contribui para que não exista limite nas relações humanas.

Em contrapartida o pai também não sabe como lidar com esta situação e prefere não contrariar a esposa.

Por um lado a cama aproxima pais e filhos, por outro pode interferir no desenvolvimento emocional de cada um. O nosso desafio é manter a proximidade, essa conexão sem que a individualidade se perca e que todos consigam também ser refúgios de si mesmos. Essa é a base de uma vida saudável com relações mais ricas e sem medo de rejeição.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

11 de junho de 2013
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