R. Antônio de Barros, 2391 - São Paulo/SP
(11) 2925-5653
inveja

A CULPA DO PAI MASCARANDO A INVEJA DA FILHA

Certa vez recebi um pai queixando-se de sua difícil relação com a enteada. Ele casou pela segunda vez com a mãe da menina de 8 anos e dizia que ela não o respeitava.

Declarou reações curiosas sobre a menina. Quando os dois estavam sozinhos, conversavam, brincavam e trocavam carinhos. Na presença da mãe, a menina o chamava de idiota, recusava seu contato afetivo e por vezes entrava no meio de um beijo trocado com a mãe para separa-los. Na maioria das vezes, a mãe acatava as vontades da filha.

Mesmo percebendo a necessidade da menina em ter vantagens pessoais (atenção exclusiva), o padrasto se posicionava agressivamente, dizendo que ela não podia entrar no meio do casal. A menina ia para o lado da mãe e lhe mostrava a língua como que dizendo: viu seu bobão, eu consegui o que eu queria, você não! Depois se sentia culpado, acreditando ter sido muito rude, já que a mãe sempre dava a razão à criança.

Esta reação infantil é comum em muitas famílias e neste caso denuncia algo alem da birra da criança. A culpa do padrasto encobria a sua vontade em querer ser tão importante quanto a criança estava sendo. Discretamente este homem deu sinais de inveja. Ao se comparar com a menina e coloca-la em posição parecida com a sua, o padrasto constata que ela está em uma condição muito melhor que a sua, evidentemente gera uma sensação ruim de humilhação, diminuição e menos valia. É como se a menina tivesse agredido a vaidade do padrasto, provocando sua reação também agressiva. Percebeu que estava exagerando em sua forma de desvalorizar-se e que contribuía para que seu cotidiano em casa fosse cheio de competitividade, hostilidade e inveja. Passou a ser consciente de sua existência e permitir que a menina e outras pessoas também tenham qualidades próprias.

A origem da inveja vem de duas variáveis: a vaidade e o hábito de fazer comparações.

Cada um declara sua vaidade de uma forma. Mostramos a vaidade física, intelectual, financeira e inclusive a vaidade de não ter vaidade, também é uma vaidade. O outro componente que temos dentro de nós é a comparação. Querendo ou não nos comparamos com as outras pessoas ao redor avaliando quem é melhor e quem é pior. Sentimos inveja daquilo que o outro possui, suas qualidades pessoais, características, capacidades e conquistas. Queremos nos apropriar disso que o outro tem e agimos de maneira pouco eficiente.

A maneira como reagimos à sensação de ter sido agredido por outra pessoa é que varia conforme a personalidade e o caráter de cada um.

Se eu sinto que estou com inveja, mesmo quando a outra pessoa não fez algo intencionalmente para me provocar e não esfregou na minha cara o sucesso dela, eu posso reagir com outra agressão física/verbal como, por exemplo, dando indiretas, ou adotando a postura de me afastar. Quando me afasto, evito que a atitude do outro em agredir a minha vaidade se repita.

A inveja tem seu lado positivo, por que ela pode nos ensinar a conhecer coisas que queremos muito pra gente. Por que aquilo que invejamos é justamente o que desejamos muito ter.

Todos nós, seres humanos, sentimos emoções como a inveja, ciúme e rejeição e é essencial aprendermos a conviver com elas. Para isso é preciso reconhecê-la como parte da nossa vida e personalidade. Acolher nossa capacidade de amar e ser grato para intregrá-la com essa rivalidade natural, transformando isso em energia de conquista e competição saudável para realizarmos nossos objetivos.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

13 de junho de 2013
|||||

Posts Relacionados