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A SABEDORIA EM DIZER NÃO AOS DESEJOS INFANTIS

Nos primeiros anos de vida de uma criança podemos ver algo muito curioso acontecendo: ela é puro impulso e pede a satisfação imediata de seus desejos. Por estarem nesse momento de vida, querem tudo, pedem tudo e nos questionam o tempo todo para saber se o que dizemos é mesmo para valer.

No ciclo natural de crescimento, a criança é guiada pelo seu desejo de fazer algo novo e a cada movimento vai descobrindo a vida e seus valores.

O desejo funciona como uma criança no supermercado. A quantidade de coisas que ela “precisa muito” é infinita. Começa pedindo um pacote de bala, quando ganha a bala, pede o biscoito de chocolate, tem o biscoito e pede outra coisa e parece nunca ter fim sua lista de necessidades.

Todos nós nascemos com muitos desejos. Esta é uma característica inata de todo ser humano e faz parte do nosso desenvolvimento. É uma necessidade que sentimos de fazer algo e quando realizamos, buscamos o próximo desejo. É como se nossa existência funcionasse a partir do desejo e sua realização. Mas neste funcionamento, seguimos como eternos insatisfeitos buscando a satisfação que acontece rapidamente e logo se torna insatisfação de novo.

Vivemos diariamente o desafio de lidar com nossos desejos e suportar a convivência com eles sem alimentar grandes ilusões de realização ou desespero por nunca cumpri-los.

E muitas vezes essa nossa dificuldade é transmitida as crianças.

Quando quer alguma coisa a criança sente, percebe e age. Observa a reação dos pais e se ouvir um não, insiste para testar se vão manter o que dizem.

A criança pede para comer brigadeiro antes do almoço e a regra da casa é comer doce como sobremesa. Os pais dizem: ainda não é a hora de comer, somente depois do almoço. A criança insiste e questiona por que e quantas horas faltam para comer o doce. Este é o momento que muitos pais recuam e dão o doce para o filho. Aos invés disso, podem explicar este não contando com a criança quanto tempo falta para o desejo se realizar. Se o relógio marca 11hs, faltam 1, 2 horas para comer o doce às 13hs.

Ao dizermos o não, normalmente, ficamos com a impressão de estar tirando algo deles. Realmente, tiramos as crianças do mundo do desejo instantâneo e damos a noção de tempo, que passa a existir e transforma o desejo em uma vontade. A vontade tem prazo para acontecer e ela exige uma ação.

Nosso principal desafio nestas situações é mostrar para a criança que ela suporta esperar, que sua vontade carrega em si todo esse aprendizado do tempo, da espera pela realização e o valor que este momento tem ao acontecer.

Quando a criança espera chegar o momento de comer o doce, vive o processo de dedicação e entende que para realizar sua vontade tem um investimento de tempo, de atitude e uma razão de ser, um propósito definido. A espera pela satisfação e a crença de que vai viver algo tão esperado, torna esse momento mais prazeroso e feliz.

Essa experiência ensina o que é construir um sonho a ser realizado. A noção de que se temos um objetivo, algo que queremos muito e temos um propósito claro, nos empenhamos para este sonho tornar-se realidade.

Viver este processo é um caminho cheio de surpresas, que podemos nos envolver com cada trecho percorrido. Muitas vezes não vai acontecer no tempo e da maneira exata como gostaríamos. Talvez ao viver o sonho percebemos que ele é ainda melhor do que tínhamos imaginado ou talvez não dê certo e a gente tenha que buscar um novo sonho.

Assim a gente segue na vida. Sempre colocando à nossa frente algo que nos motiva, nos faz buscar a realização e nessa jornada nos tornar uma pessoa melhor. Capaz de suportar, aprender, reparar, fazer diferente, tentar mais uma vez e mesmo assim continuar vivo!

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

6 de dezembro de 2013
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