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TIMIDEZ E A CRIANÇA TIMIDA

Muitos pais me perguntam sobre o comportamento retraído, sensível e tímido de seus filhos. Crianças com dificuldade no relacionamento e no contato com as pessoas. No dizer “Oi”, “tchau”, “agradeço”, “por favor”, “com licença” e todas as posturas que acontecem o tempo todo em nossa vida quando interagimos com alguém. Como fazer para despertar tudo isso na criança?

Nascemos com diversas predisposições, cada um de nós com características que nos diferenciam uns dos outros e nos tornamos especiais justamente por funcionarmos daquele jeitinho que só a gente tem. Lentamente, vamos demonstrando como somos e vamos sendo nomeados por aquilo que mostramos. Quando nosso ponto de partida é mais sensível à reação dos outros nos identificam como “introvertido”, “tímido”, “quietinho”, “fechado”, “tranqüilo” ou “não dá trabalho”.

Com essas referências, passamos a nos comparar com os nossos irmãos por algo que tiveram mais sucesso que nós ou maior reconhecimento pelo jeito deles de ser. Nessas comparações vamos nos colocando em uma posição de inferioridade. Percebemos também que algumas coisas que fazemos, gera uma reação exagerada e desproporcional nos nossos pais e isso nos deixa com muito medo. Vemos que eles nos cobram e exigem algo que não compreendemos bem o que é, mas entendemos que daquela forma que somos, eles ficam triste e com raiva da gente. Como não queremos perder o amor dos nossos pais, vamos fazer o máximo do nosso esforço para não errar e assim, corresponder as expectativas deles para agradá-los.

Na intenção de sermos queridos, somos extremamente obedientes. Vamos deixando de expressar nossas emoções e vontades que possam gerar algum tipo de confronto. Por exemplo, o nosso irmão pega o brinquedo que estamos usando e preferimos não falar nada para não correr o risco de sermos desaprovados. Seguimos com o sentimento de raiva pelo desrespeito do nosso irmão, mas continuamos nos esforçando para não desagradá-lo.

Ao não vermos espaço para nos expressarmos sobre esses desconfortos, alimentamos mais ainda nossa raiva e começamos a nos sentir culpados. Isso intensifica ainda mais o medo de errar, fazendo com que a gente fique cada vez mais retraído, tímido e quieto.

Assim começa um ciclo que causa sofrimento tanto na criança, por perceber que todo seu esforço é insuficiente para evitar a decepção dos pais, como nos pais, por se preocuparem que o filho não consegue se relacionar com as pessoas de forma espontânea.

Essa caminhada vai acontecer com todos nós e ela trás alguns desafios que tem a ver com esse nosso ponto de partida. Temos escolhas de como vamos viver esses desafios com uma criança que sai deste lugar mais tímido. Ao invés de recebê-la com uma fala do quanto ela é quietinha, classificando e permanecendo rígido nessa realidade, podemos fazer com que todas essas informações nos contem sobre como estamos construindo nossa relação com as pessoas a nossa volta e principalmente com essa criança. Para isso:

1. Observe qual o seu ponto de partida no relacionamento com as pessoas. Como você as cumprimenta, como se despede, agradece ou solicita a ajuda delas. Esse pode ser o modelo que seu filho segue.

2. Tente regular suas expectativas em relação ao seu próprio desempenho e ao desempenho do seu filho.

3. Pense quais reações e atitudes você tem que transmitem a mensagem que ele não pode errar.

4. Suavize a reação que você tem quando ele discorda ou faz algo que você considera errado.

5. Construa um espaço de diálogo em que vocês possam expor suas emoções ao invés de censurá-las. Confie que ele pode se arriscar mais, se experimentar mais, propondo desafios para ele se apresentar para as pessoas e veja o tanto de possibilidades que se abrem para estar junto com o seu filho diante desse processo de desenvolvimento da personalidade dele.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

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