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sim e não

AUTORIDADE SEM SER AUTORITÁRIO

Muitos pais que conheço me dizem que o aspecto mais difícil na educação dos filhos é a autoridade. Alguns deles se queixam que ser severo não ajuda no processo de escuta das crianças. Ao invés disso, geralmente elas respondem, ficam em negociações prolongadas e sem fim.

Para mim algumas das estratégias atuais utilizadas por alguns pais não parecem ter um funcionamento efetivo. Quando dizem “não” aos pequenos, transmitem fragilidade e descrença em seu real propósito. Alguns pais acreditam que os filhos com 1 ou 2 anos não compreendem o valor desta palavra e tudo o que ela envolve. Na duvida do entende ou não entende, agem com pouca consciência, se posicionam de maneira incoerente ou então não se posicionam.

Este processo de compreensão do “não” é construído desde o primeiro dia de vida do pequeno e nós fazemos parte desse aprendizado de forma intensa. Quando as crianças são pequenas os primeiros “nãos” já vão aparecendo por causa de um perigo que está para acontecer, “não pega esse copo de vidro”, ou então, para nortear a educação “não fale assim com o seu irmão”, “não pode bater/morder, por que machuca”.

Algumas pessoas quando encontram com um bebê, mudam a voz, abrem um belo sorriso seguido de um “Ai que lindo!!!!”. Esse “sim” é o que os bebês estão acostumados a receber nos encontros com as pessoas e ele entende que tudo está funcionando bem. O que não nos damos conta é que ao falarmos o “não” verbalmente, o nosso corpo todo também está comunicando isso. O tom de voz fica diferente, o olhar muda e os nossos gestos se modificam. Esse conjunto tão rico, quando sai de um lugar seguro e convincente, se transforma em um grande aprendizado. Então, a hora que o bebê morde e o adulto olha para ele e diz “Não pode! Isso machuca.”, ele entende que algo está diferente daquele “sim” e vai começar a identificar o que isso significa através da voz, do olhar e dos gestos do “não”. Assim, essa noção do que tá legal e o que não tá legal, vai sendo construída dentro da criança.

Não há regras fixas para fazer as crianças respeitarem nossa autoridade. Este é um trabalho em constante desenvolvimento e exige muita dedicação para estabelecer essa dinâmica com os filhos.

É importante começarmos esse aprendizado fazendo de uma maneira que a gente acredite desde sempre e não quando chegar aos 4 anos, ou quando achar que a criança entende a noção de conseqüência, ai vai fazer de outra maneira. Essa coerência precisa acontecer desde o inicio da vida dessa criança.

O caminho, sempre que disser o “não”, é explicar e dar uma oferta para substituir a atenção que aquilo está exercendo sobre a criança: “Não pegue este copo de vidro, porque ele pode cair e você se machucar. Venha aqui escolher qual cor você prefere destes copos de plástico.” Nessa experiência, do “sim” e do “não”, a criança vai experimentando o que é uma coisa e o que é outra, quais são as atitudes que geram aquela reação e quais são as atitudes que geram outras respostas.

Precisamos mostrar para as crianças que algumas coisas na vida são assim e que não é um jeito bom ou ruim, apenas é assim. As vezes, tem coisas de que não gostamos de fazer, mas temos que fazer. Nem sempre fazemos o que amamos ou gostamos. Certas coisas não precisam de grandes explicações, mas saber que você está fazendo isso de uma maneira confiante, deixa as crianças ainda mais seguras.

Essa conversa contínua com as crianças deve ser educada. Mesmo os bebês, precisam ser tratados com educação. Dizer “por favor”, “obrigada” e fazer uma lista para você das atitudes inadmissíveis para conviver dentro de casa, por exemplo, a violência, ajuda neste processo de ir mostrando os princípios da educação. Saiba que você é o primeiro exemplo a seguir estas regras. Então, ao observar o que a criança fez que é considerado inadmissível e criar o hábito de se posicionar com ela, você está ensinando que há um sistema fixo e coerente de direitos, ao qual tanto as crianças quanto os adultos devem respeitar.

Em vez de esperar um grande atrito e recorrer a punições enérgicas, podemos fazer esses pequenos ajustes constantemente, educando e prevenindo, baseados em regras pré-estabelecidas.

A idéia não é criarmos robôs obedientes. Ao contrário, é desenvolver a habilidade de escuta e conversa com as crianças o tempo todo para que elas construam gradualmente seus próprios gostos e opiniões, aprendendo cada vez mais sobre a convivência.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

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2 comments

maria elisabeth simoni gouveia

Acompanho e gosto muito de suas publicacações

Olá Maria Elisabeth. Seja sempre bem vinda!!! Agradeço o carinho e seguimos juntas, beijos

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