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BRIGA ENTRE IRMÃOS: O QUE FAZER

Com a chegada de um irmão, o filho mais velho pode sentir raiva, frustração, ciúme e reagir de diversas maneiras. Já vimos aqui que algumas atitudes nos ajudam a viver esse processo de um jeito mais tranqüilo. Mais tarde, pode vir o outro lado da moeda. O filho mais novo percebe que o mais velho tem habilidades diferentes das suas, consegue fazer coisas que ele ainda não é capaz, vence dificuldades e, por isso, tem a admiração dos adultos. Pode sentir ciúme, imaginar que o irmão é o preferido e agir de um modo que também receba a atenção das pessoas. Então, podem surgir as brigas entre irmãos.

Geralmente, é difícil para nós suportar a rivalidade e principalmente a hostilidade entre irmãos. Queremos que eles se amem e desenvolvam a irmandade que representa a união, o amor e a amizade.

A maioria dos nós tem essa dificuldade para ajudar as crianças com sentimentos intensos porque não aprendeu a administrar os próprios sentimentos, apenas se anestesiar através de “pequenos vícios”, como comida, bebida, cigarro, entre outros. Assim, quando as crianças choram ou ficam bravas, descobrimos que elas ativam todos os nossos sentimentos desagradáveis e que tomam conta da gente. Então, reagimos para evitar sentir o que estamos sentindo. Em vez de ajudar a criança com seus sentimentos, nós as punimos, fazendo com que também escondam seus sentimentos. Ou, se percebermos que a punição vai piorar as coisas, dizemos com firmeza “Pare com isso!” e esperamos que isso acabe com a briga.

Infelizmente, esse não é o fim das batalhas. Podemos contar que a briga acontecerá novamente, porque em seu coração, todos aqueles sentimentos ruins continuam em guerra contra o afeto pelo o irmão. Isso não significa que ele seja um monstro, significa que ele é uma criança tentando administrar sentimentos desagradáveis e essa pode ser sua forma de nos pedir ajuda.

A raiz da rivalidade está no desejo de ser o único amor dos pais. As crianças não querem perder espaço, afeto e aceitação. O medo de que não seja bom o suficiente em comparação com o irmão, a dor de ter perdido o seu lugar especial em sua família, é tão perturbador que elas não podem suportar. Então, para evitar sentir isso, elas iniciam a briga. Porém, toda vez que respondem com raiva, seu coração endurece ainda mais e menor fica sua capacidade de desenvolver a empatia.

Forçar a barra para um dos irmãos ceder ao outro ou desconsidera-los com explicações do tipo “você já é grande/pequeno para isso”, são atitudes que podem prejudicar essa relação entre os irmãos. Ignorar a diferença entre eles também não é adequado. Um bom caminho é demonstrar o respeito por cada um deles, construindo uma relação de confiança, segurança e conexão para ajuda-los nesse emaranhado de sentimentos. Essa construção acontece toda vez que temos momentos de atenção exclusiva com cada um.

Quando surgirem os conflitos, deixe, na medida do possível, que eles tentem resolver suas diferenças. Nossa intervenção deve ser mínima quando a situação está desagradável e obrigatória quando existir violência ameaçando a integridade física das crianças. Quando uma reclamar da outra e pedir a nossa ajuda, é importante tomar cuidado para ser o mediador mais neutro possível. Para isso, precisamos apenas descrever o que estamos vendo, por exemplo: “você está chateado e você está chorando, o que aconteceu?”. Ouça atentamente cada um dos envolvidos e depois instigue a solução, “me parece que aqui tem um brinquedo e duas crianças querendo brincar com ele, como podemos resolver isso?”.

Em caso de alguém estar ferido, aquele que feriu pode ajudar nos cuidados. Confortando o filho machucado, entramos em um lugar de carinho e amor, que é o que precisamos acessar quando formos lidar com o filho que agrediu. Lembre-se, tanto um quanto o outro, são crianças que precisam da nossa ajuda para que possam ser gentis e calmos.

Ouvindo atentamente ou descrevendo a situação, podemos criar esse espaço seguro para que as crianças mostrem como se sentem. Com o coração aberto, as palavras vão surgindo, a compaixão vai ganhando lugar e a raiva se dissolvendo. Aos poucos elas aprendem a administrar melhor as suas emoções e o seu comportamento e assim vai se construindo uma nova relação de amor e respeito entre os irmãos também.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

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