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COMO AJUDAR AS CRIANÇAS A REGULAR SUAS EMOÇÕES?

Existem momentos que por algum motivo as crianças ficam irritadas, agitadas, tristes ou agressivas. Quando percebemos essas reações, nos preocupamos para que elas aprendam a regular suas emoções. Afinal, são as emoções que muitas vezes nos colocam ou nos tiram dos problemas na vida e queremos evitar que as crianças se sintam desconfortáveis.

Apesar de todos os nossos esforços, na verdade, não temos a capacidade de fazer com que elas não sintam raiva, tristeza, medo ou qualquer outra emoção desagradável. Dizer para não chorar não vai impedi-las de sentir a tristeza, vai enviar uma mensagem de que existe algo assustador ou vergonhoso sobre suas emoções e por isso não pode ser mostrada para as pessoas. Quando agimos dessa forma, é como se estivéssemos ensinando os pequenos a reprimir suas emoções.

Costumo comparar esse processo com o de uma panela de pressão, que vai ganhando força até que chega uma hora que se o ar não for liberado, a panela pode explodir. Então, quanto mais incentivamos essa atitude de não expressar o que sente, mais força essa emoção vai ganhando dentro do coração das crianças e de repente explode um comportamento inadequado.

Nosso grande desafio é contar para os pequenos que não é ruim sentir as emoções, elas fazem parte do que somos. Não temos o poder de escolha sobre o que sentimos, mas sempre temos escolha sobre como queremos agir quando os sentimentos aparecem.

Nós adultos quando estamos chateados ou irritados encontramos um cantinho para organizar as nossas emoções. Pode ser na cama, no sofá, caminhando no parque ou de outras maneiras. O importante é buscarmos um lugar onde nos sentimos aconchegados, protegidos e ali poderemos chorar, cuidar do coração, entender o que estamos sentindo, o que estamos vivendo e aos poucos recarregar as energias para seguir com a vida novamente.

Ao invés de colocar de castigo e punir as crianças por um acesso de raiva que tiveram, podemos utilizar essa ferramenta de regulação emocional. Em um momento de tranqüilidade e calma, construa com a criança um lugar na casa que seja o cantinho do equilíbrio para ela (vocês podem escolher outro nome para esse cantinho). Pode ser uma cabana, um local com almofadas, livros, bichos de pelúcia, cobertor, o pote da calma, enfim, tudo aquilo que possa ajudar a criança a viver essa trajetória para se acalmar e se sentir bem quando for preciso.

Esse será um grande estimulo para elas perceberem quando estão tristes, nervosas, irritadas e precisando desse espaço. No momento que estiver no seu cantinho irá concentrar sua atenção em si mesma, no seu ritmo, desenvolver a empatia, o respeito, o amor e depois voltar pro convívio com a família ou retomar uma conversa que estava indo para um lugar ruim.

As crianças menores talvez precisem do nosso apoio para identificar quando estão precisando se regular física e emocionalmente. Então, vale contarmos sobre a importância desse espaço, respeitar a vontade de ficarem sozinhas ou solicitarem a nossa presença e aos poucos ir sentindo como esse cantinho do equilíbrio vai se encaixando no dia a dia.

Podemos aproveitar esse momento para criar ainda mais conexão com as crianças e ir ajustando nossa expectativa de acordo com a realidade de aprendizagem delas. Aprender a se regular emocionalmente não é algo simples e imediato, é tarefa para a vida toda. Nossa parceria é fundamental para que este processo comece na infância e assim contribuirmos para uma vida adulta mais equilibrada e feliz.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

25 de maio de 2016

1 comentário

Texto excelente! Parabéns!

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