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COMUNICAÇÃO EFETIVA E AFETIVA COM AS CRIANÇAS

Um dos aspectos fundamentais na educação das crianças é a comunicação. Esta é a via mais significativa para estabelecermos uma relação de intimidade emocional com alguém e deixarmos a mostra quem realmente somos. Nessa troca de informações feitas com as crianças, entre o casal, com a família, nas relações profissionais e sociais, muitas vezes nos perdemos e ficamos lutando por poder pessoal. Assim, seguimos criando uma desconexão que gera o distanciamento e nos dá a sensação de infelicidade, inadequação e isolamento.

Quando nos comunicamos o nosso cérebro recebe muitas informações sensoriais e nem sempre conseguimos expressar emoções difíceis sem ofender ou contra-atacar. Na realidade, não gostamos de admitir que estamos ofendidos, querendo cuidado e proximidade. Preferimos nos defender emocionalmente com a crença limitante de que, ao nos comunicarmos a partir da nossa vulnerabilidade, estamos agindo com fraqueza e não com uma força pessoal.

As crianças também recebem este bombardeio de informações sensoriais, mas não possuem filtro, experiência e capacidade emocional para lidar com tantos estímulos ao mesmo tempo. Por isso, elas precisam de uma conexão solida, um vinculo que transmita segurança e afeto.

A comunicação a(e)fetiva gera a possibilidade de nos conectarmos com as crianças de forma leve e profunda, pois ao mesmo tempo que ela é efetiva em influenciar no bem estar dos pequenos, ela é afetiva ao expressar algum tipo de emoção como raiva, amor, tristeza e medo sem perder a empatia. Isso favorece um vinculo amigável, refletindo na cooperação e parceria das crianças no processo educativo.

Criar esta conexão com as crianças exige atenção e paciência, mostrando que estamos presentes de corpo e alma. Pede uma fala usando palavras gentis e amáveis, em tom de voz calmo e respeitoso. Vale lembrar que o corpo diz muito sobre nossos sentimentos, por isso, devemos tomar cuidado para não contradizer palavras amáveis com postura irritada e inquieta. É essencial a sintonia entre a linguagem corporal e o tom de voz. Outro elemento muito importante na comunicação é a diferença de altura do adulto e da criança. Esse desnível causa insegurança e transmite a sensação de indiferença e autoritarismo. Ao falarmos com os pequenos, podemos nos colocar ao nível deles, estabelecendo a comunicação olhos nos olhos. Esse contato visual estabelece uma relação de respeito, confiança e segurança.

A ideia é evidenciar o que sentimos de forma despojado e corajosa, mas sempre com o objetivo de criar comunicação e fortalecer o vinculo com a criança e não para mostrar quem manda ou tem razão.

Cada familia tem um vocabulário e estilo próprio de comunicação, mas quando o ponto de partida é de um lugar consciente, todos começam a assumir para si o que sente diante de certas situações, sem necessidade de acusar, vitimizar, culpar ou reclamar. Ao invés de tentar identificar o vencedor da conversa e ter uma verdade final, expressam sua realidade emocional presente, criando cumplicidade e intimidade com as pessoas que amam.

O exercício é simples. Basta substituir acusações, reclamações e culpas por falas em primeira pessoa, comunicando um sentimento relacionado a situação desconfortável. Começar a frase com “querida”, demonstramos carinho, cuidado e amor, abrindo um canal de comunicação mais leve com as crianças. Substituir o uso do “você” por “nós” e valorizar o sentimento ou desejo da criança, mesmo quando não puder ceder a um pedido, auxilia na construção de sentimentos de inclusão, união e cooperação.

Veja alguns exemplos de comunicação afetiva e efetiva.

Mãe: Meu amor, vamos escovar os dentes, por que já está na hora de ir dormir.

Filha: Eu não estou com sono, por que eu tenho que ir dormir?

Mãe: É o que nós fazemos quando anoitece. Caso contrário, estaremos cansadas amanhã.

Filha: Eu não quero. Quero brincar mais um pouquinho.

Mãe: Eu também adoro brincar, mas agora estou cansada e não temos mais tempo. Vamos escolher um livro bem legal para relaxar e logo o sono vem. Eu gosto desse aqui. O que acha dele?

Parece complexo demais conseguir manter este equilíbrio o tempo todo, mas acredite, com persistência e coerência, é possível. É no passo a passo do cotidiano que esta comunicação vai se concretizando e fazendo parte do relacionamento com as crianças. Assim, se torna cada vez mais uma resposta natural e com resultados positivos e duradouros.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

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