R. Antônio de Barros, 2391 - São Paulo/SP
(11) 2925-5653
TDAH

CRIANÇA DESATENTA E HIPERATIVA

Somos de uma geração(80,90,00) que foi educada para poupar a dor inerente a própria vida. As crianças não podem esperar o tempo das coisas acontecerem no seu ritmo, cooperar com tarefas domésticas ou se adaptar a uma mínima organização diária. Com isso desenvolvemos uma força de vontade apática, nos cansamos facilmente das coisas e nos agitamos quando somos contrariados. Assim, necessitamos cada vez mais de estímulos mais potentes para sentir nossa existência.

Atendo crianças e adolescentes que inicialmente chegam com uma queixa de ser “muito devagar”, “desligado”, “agitado”, “preguiçoso” e “agressivo”. Durante o processo de terapia vou compreendendo que na maior parte dos casos as crianças foram nomeadas por algum tipo de comportamento recorrente e desaprovado pelos pais. Na intenção de compreender o que está acontecendo com a criança e interromper o comportamento apenas com palavras, seguem dizendo o que estão vendo, gerando esses rótulos. Quando rotulamos um comportamento infantil, as crianças que ainda estão em processo de formação, começam a se questionar se são aquilo que estamos dizendo e vão se distanciando da percepção que tem de si mesmas. Elas acreditam que se o pai, mãe, avó e professora estão falando aquilo sobre ela, então, com certeza tem algum sentido. Esses pensamentos fazem com a criança compre a idéia e dê início a um ciclo de comportamentos para confirmar e levar os adultos a pensar nos nomes que definem a sua existência.

Na infância é muito forte essa necessidade de existir e é através dos comportamentos que essa existência é notada. É muito bom perceber que algumas crianças conseguem existir para os pais de uma forma positiva e saudável. Mas, se elas precisam existir através do reconhecimento dos rótulos que receberam, esse pode ser um sinal de que alguma necessidade não está sendo atendida.

Outro ponto importante a ser considerado é o cuidado com as nossas expectativas, elas também podem ser o alimento para que alguns comportamentos continuem acontecendo. Muitas vezes a tristeza, euforia, o medo e a raiva vão aparecer em um comportamento infantil e isso é estar vivo. Mas, nós nos antecipamos pensando: “Ai meu Deus, não vai dar certo! Ela vai ficar no mundo da lua de novo, é melhor fazer tal coisa.” Criamos toda essa expectativa diante de algo que ainda não aconteceu, gerando um reflexo disso para as crianças, realimentando o ciclo do que ela pensa a seu respeito diante desse desafio.

As drogas, cigarros e o álcool vem “salvando” vidas que sem uma boa dose desses aditivos nada tem real sabor. Nesse sentido, muitas crianças e adolescentes desacostumadas a colocar a mão na massa, estão tomando medicamentos que se destinam ao tratamento do TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), uma disfunção psiconeurológica que provoca dificuldade de concentração e incapacidade de controlar seus impulsos.

Em muitos casos, diagnósticos apressados e descuidados contribuem para algumas crianças permanecerem em sua apatia vital sob o pretexto de que estão dominadas pelo TDAH. Ao invés de recorrermos ao julgamento, que deixa a criança presa numa palavra, uma idéia ou um conceito, podemos nos abrir para o diálogo, que transmite a vontade de saber mais daquela criança que está ali, existindo da sua melhor maneira. Deste lugar mais proativo, possibilitamos a construção de novos caminhos e soluções para todos os desafios futuros.

Atenção: o importante é ver nessas características indícios para buscar maiores informações, sem que se faça um autodiagnóstico equivocado. Para isso consulte um especialista e receba orientações adequadas para o seu caso.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

Posts Relacionados

Deixe uma resposta