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crianca mimada

CRIANÇA MIMADA, ADULTO FOLGADO

Em algum momento de sua vida você já deve ter cruzado com uma pessoa que identificou como folgada. Certamente essa pessoa era um modelo de adulto que na infância tinha o conhecimento de que deveria guardar seus brinquedos e por algum motivo, não o fazia.

Todo bebê recebe o amor gratuito dos pais. Essa condição está vinculada ao fato único de existir e não por merecimento de algo que fez. No momento em que começa a tomar iniciativas, a criança recebe as noções daquilo que pode ou não. Após o aprendizado, é necessário praticá-lo para consolidar o conhecimento. Caso a criança faça o que não pode ou não faz o que deve, os pais devem exercer o amor que exige.

Este é o momento em que surge a falha educativa durante o desenvolvimento do filho.

Ao invés de exigir a capacidade da criança em fazer determinada atividade, colocando o limite no que não pode fazer, os pais insistem em ensiná-la novamente. “Quantas vezes preciso dizer que não pode?” e a criança não deixa de fazer aquilo que não pode, principalmente, por que os pais acreditam que ela ainda não aprendeu. O desconhecimento nem sempre é real, geralmente, ela insiste para ver se o limite para ser respeitado é aquele mesmo.

Na falta de proibição, os pais autorizam a permanência do comportamento inadequado. Se a proibição verbal não for eficaz, deve ser acompanhada por uma consequência.

Consequência é o mesmo que castigo?

A consequência é o resultado de um fato. Isso significa que todos devem arcar com a consequência daquilo que faz, inclusive as crianças.

“Mas Ana, ela é uma criança.”

Exatamente por isso ela deve aprender desde cedo que não pode ser aquela pessoa folgada que citei no inicio do texto que vai deixar a responsabilidade nas mãos dos outros e se isentar de qualquer participação diante do que vive.

O que educa é a compreensão de que terá consequências com seus atos.

Castigos refletem o estado emocional dos pais, que invariavelmente repetem sua atitude para qualquer situação. Não deixam a criança brincar com os amigos, gritam com ela, dão palmadas, beliscões ou chineladas.

Pense comigo, qual a relação desses “castigos” com a transgressão de não ter guardado o brinquedo? Nenhuma, por que quem guardou o brinquedo não foi a criança, provavelmente foi a mãe.

Uma consequência real seria ao ver que a criança não guardou o brinquedo, conversar com ela para entender o que a faz não querer guardá-lo. Explicar a necessidade de guardar e cuidar dos brinquedos para que eles não sejam pisados sem querer por alguém e possam ser utilizados em outros momento de brincadeira.

Se mesmo com o diálogo e estímulo para ajudá-la a guardar o brinquedo, a criança não manifestar nenhum interesse em cooperar, é preciso dizer (em tom de voz sério, sem demonstrar agressividade e sim firmeza): “Aqui em casa eu gosto e me importo em deixar as coisas organizadas e valorizamos tudo o que compramos com tanta dedicação e trabalho. Com os seus brinquedos isso não é diferente, mas me parece que eles são importantes somente para mim. Então, vou contar até 3 para começar a me ajudar a guardar o brinquedo. Se eu terminar a contagem e ainda não estiver guardando, vamos doar este brinquedo para alguém que realmente se importe com ele.”

Na maioria das vezes a criança guarda antes do termino da contagem. Caso isso não aconteça, pegue o brinquedo e diga: “Acredito que você realmente não se importe mais em ter este brinquedo e por isso não cuida dele de maneira adequada, então vamos doá-lo para quem precisa e quer cuidar dele com carinho”. Guarde o brinquedo em lugar inacessível à ela e na primeira oportunidade, acompanhe seu filho para ele doar o brinquedo a uma criança carente.

Além de educar com a cidadania do não desperdício, desenvolve para a vida toda a consciência de que deve arcar com as consequências daquilo que faz. Tudo isso pode ser feito com muita conversa, carinho, coerência e constância. Com o tempo a criança acaba se habituando as regras da casa e tudo tende a fluir naturalmente.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

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2 comments

Muito bom o seu texto, apenas não concordei com a resolução final, uma vez que no inconsciente da criança, doar um brinquedo torna-se um sacrifício, uma consequência de algo ruim que ela fez. Mas vale a reflexão.

João, esse é exatamente o ponto, trazer consciência. A idéia é estabelecer regras e limites para que a criança entenda quando ela está descumprindo alguma delas. Assim, ela assume o risco de seus atos e a conseqüência de algo que fez. Envolver a criança na resolução do problema, gera o senso de responsabilidade por aquilo que faz e diminui consideravelmente a chance de comportamentos inadequados voltarem a acontecer. Além de tornar a rotina familiar mais harmoniosa, as crianças entendem desde cedo que errar é humano, mas existe a responsabilidade sobre os erros. Beijo querido e obrigada por trazer suas contribuições.

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