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IRMANDADE

É muito gostoso ver uma relação feliz, de cumplicidade e amor entre irmãos. Muitos pais desejam essa irmandade, acreditando que isso é possível quando nenhum dos filhos sofre privações e que tudo aquilo que um recebe, são obrigados a dar, igualzinho, para o outro.

Durante a gravidez muitas mães entram em um turbilhão de medos com uma crença cultural bastante enraizada na nossa cultura: a preocupação com o filho mais velho de que ele vai perder seu lugar, vai ter muito ciúme e que o nascimento do irmão vai causar um estrago enorme na vida dele. Quando essa mãe sai desse ponto de partida que a criança vai sofrer, também contribui para que essa crença continue.

A família tem seu jeito de viver em andamento e com a chegada de um irmão, esta convivência sofre alterações. A participação dos pais é fundamental nesse processo de reajustes dessa nova realidade e no desenvolvimento da irmandade entre os filhos. Será uma adaptação gradual do como a família vivia antes e como vai viver agora com mais um integrante no grupo.

Um filho encontrou uma família em uma condição de inaugurar o ser mãe e o ser pai e um caminho a ser descoberto pela frente. O outro chega com os pais já sabendo muita coisa, mas com muitas outras a serem aprendidas. Como, por exemplo, a essência da chegada desse novo integrante na família.

O fato é que podemos ter 1, 2, 3 filhos, mas cada um é único. Um não é igual ao outro. Mesmo que sejam gêmeos, ninguém é igual a ninguém e não gosta de ser exatamente igual a outra pessoa. Cada um é único no seu jeitinho de ser, nas suas habilidades, expectativas, dificuldades e no modo de funcionar no mundo. Mas, para apresentar e marcar suas diferenças, os filhos acabam criando embates com os irmãos.

Muitas vezes, na tentativa de ajudar, comparamos os irmãos: “Não sei por que esse menino dá tanto trabalho se teve a mesma educação que a outra filha”. Quando fazemos isso, é natural que alguém saia em desvantagem. A comparação sempre será injusta com alguém e faz com a criança acredite e fique presa em características que a representam para os outros. E os irmãos passam a acreditar também nesse funcionamento que nós dizemos que eles tem.

Essa crença daquilo que nós falamos que os filhos são, faz com que os irmãos se distanciem. Ao invés de colaborarem um com o outro, eles passam a se preocupar em existir mais e melhor para nós, em fazer o que a gente considera que é certo ou o que estamos esperando que eles façam.

O maior medo da criança que vai ganhar um irmãozinho é perder o amor dos pais. Porque para este pequeno o amor está relacionado à atenção e no primeiro momento ela é dividida com o irmão bebê. Por isso é tão necessário que ele seja olhado como único nas suas necessidades e na vontade dos pais de estar junto a este irmão mais velho, sentindo que tem seu lugar legitimado e que o amor que os pais sentem por ele está garantido. A criança percebe que o amor está intacto, ela se acalma e pode curtir o irmão que está chegando. E quando o irmão que está chegando, sabe da presença desse amor, do seu lugar garantido e que além dos pais, tem um irmão para ganhar amor, ele também é capaz de se acalmar, retribuir e oferecer amor para todos.

É através dessa relação com os irmãos que experimentamos pela primeira vez um sentimento que irá se manifestar em muitas outras situações de nossas vidas: a competitividade. Desde pequenos vamos nos habituando a nos sentir melhores ou piores com relação a nós mesmos usando os nossos irmãos ou outras pessoas como referência.

Nosso desafio é interromper este ciclo de comparação e competição e reconhecer cada filho como verdadeiramente é: uma pessoa com brilho único e incomparável. O que funcionou para um, pode não funcionar com o outro. Cada um está em sua própria historia, seguindo seu próprio caminho, tendo seus próprios aprendizados e vivendo seus próprios desafios. Ninguém está errando ou fracassando: estão todos aprendendo. A hora que fazemos isso, os irmãos também se olham dessa maneira e todas as possibilidades de existência se abrem.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

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