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falar errado

MEU FILHO AINDA FALA ERRADO. É NORMAL?

Essa é uma dúvida frequente que escuto dos pais das crianças que chegam ao consultório. Quando o filho começa a apresentar alguma dificuldade para falar ou desenvolve essa habilidade mais lentamente, os pais ficam preocupados. Mas já sabemos que nós, seres humanos, demoramos algum tempo (anos) para dominar perfeitamente o mecanismo da fala e que este envolve uma série de aspectos orgânicos e psíquicos para acontecer.

Ainda que esperemos que, em torno dos 4 anos de idade, a criança esteja com o sistema de sons da língua adquirido, é preciso levar em conta que existe uma variação dentro dos limites da normalidade. Isto é, uma criança de um ano e seis meses de idade pode falar, aproximadamente, 150 palavras; enquanto outra, da mesma idade, não fala nenhuma. Tal discrepância pode nos induzir a pensar que a segunda criança apresente algum problema em relação ao desenvolvimento de linguagem, mas pode ser que isso não aconteça, já que a questão do tempo precisa, necessariamente, ser levada em consideração.

Outro exemplo que traz à tona a importância de levarmos em conta o fator do tempo é a troca de fonemas, chamada de desvio fonológico ou distúrbio articulatório na Fonoaudiologia. É muito comum, a criança falar “calo” ao invés de “carro”; em vez de “você”, fala “focê”. Em outras situações, por exemplo, há crianças que já produzem razoavelmente bem a maioria dos sons da língua, mas ainda oscilam na produção do R duplo e dos encontros consonantais. Elas falam “pato” em vez de “prato”, mas isso não significa que tenham algum problema na fala, pois, geralmente, esses sons são os últimos a serem adquiridos.

Como puderam perceber, a questão da normalidade na fala exige uma avaliação cautelosa para verificar que sons a criança não produz ou troca por outros, com objetivo de identificar a necessidade de um atendimento fonoaudiológico ou de esperar mais um pouco, pois pode ser que a criança esteja em fase final de aquisição da linguagem. Entretanto, vale a pena ressaltar que, mesmo antes dos quatro anos de idade, é possível haver um desarranjo no sistema de sons que merece o cuidado precoce do fonoaudiólogo.

Até a próxima!

Flávia Cardoso,

Fonoaudióloga, mestre e especialista em linguagem pela PUC/SP.

Email para contato: [email protected]

15 de julho de 2015
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