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MEU FILHO É GAY, E AGORA?

Ontem foi a Parada Gay em São Paulo. Resolvi aproveitar este acontecimento para falar sobre este tema polêmico, cercado de preconceitos e tabus. A origem e causa da homossexualidade são assuntos para uma discussão sem fim e na maioria das vezes não muda em nada a história de quem vive essa realidade. Por isso, prefiro abrir espaço para olharmos vários aspectos referentes às maneiras peculiares de expressar a sexualidade.

Atendo uma mãe que soube pouco tempo atrás que o filho de 14 anos sente desejo por homens. Ressaltou que uma pessoa na idade dele não sabe o que quer da vida, ainda mais se tratando de desejo sexual por outra pessoa do mesmo sexo. Dizia com convicção que isso é uma fase passageira, que ele aprendeu isso na internet, por que conversa com homens mais velhos e acredita que ele está sendo alvo de uma rede de pedofilia. Ela descobriu isso tudo quando invadiu a privacidade do filho que esqueceu seu facebook conectado na página da ultima conversa erótica com um homem.

Quando vi sua indignação fiquei assustada com tamanho desconhecimento sobre sexualidade humana.

Percebo uma manifestação limitante de algumas pessoas com argumentos de que homossexualidade é ensinada pelos pais ou pela mídia e que uma pessoa descobre ser gay depois de ser incentivada por algo ou alguém. Se formos nesta linha de raciocínio, todos os gays só seriam gays por que foram educados por pais homossexuais. E não é o que vemos. A maioria vem de uma educação com comportamento heterossexual e mesmo sabendo que o “certo” é corresponder às expectativas sociais não conseguem conter seu desejo por pessoas do mesmo sexo.

O desejo é assim, como um animal descontrolado que segue uma direção e não cessa por causa de regras ou preconceitos. Isso acontece com todo mundo, para algumas pessoas o desejo pode estar menos oculto e para outras mais.

É preciso ressaltar que a manifestação do desejo sexual não depende da vontade consciente da pessoa e por isso ninguém decide de uma hora pra outra ser homo, hetero ou bissexual e muito menos por que é moda ou alguém falou para ser assim.

A internet, TV, rádio, mídias em geral ou pessoas mais velhas não vão estimular ninguém a ter nenhum desejo que já não esteja ali. Isso pode sim encorajar pessoas que têm vergonha de seu desejo particular a manifestá-la com a intenção de esse desejo ser algo comum e se sentirem menos inferiorizadas e discriminadas.

Eu concordo com esta mãe que o filho é muito jovem para viver sua sexualidade da forma como está vivendo, mas também seria preconceituosa em buscar uma resposta conclusiva para a homossexualidade dele apenas para aliviar sua angustia.

Antes de tudo ela precisa ver seu filho com olhos de amor para uma pessoa que tem o mesmo desejo que eu de ser aceita e acolhida entre as pessoas.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

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