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NÃO SUBESTIME SEU FILHO

Tenho acompanhado uma jovem de 17 anos em que o tom das nossas conversas tem sido “eu odeio meu pai e minha mãe, eles deveriam morrer”. Segundo ela, a mãe não lhe dá a devida atenção e o pai está sempre mais interessado com as questões do trabalho do que com a família.

Sua queixa é de que cada vez mais seus pais estão distantes, desvalorizando sua existência. Ela por sua vez tenta ocupar seu tempo com outras fontes de convivência e aprendizado, frequentando academia, cursinho, casa de amigos e festas. Além de estarem fisicamente longe, quando se encontram, tentam adivinhar o que ela quer e cada vez mais tem a certeza que os pais pouco sabem dela. Além da dificuldade em falar sobre seus sentimentos, seu grau de indignação é tão grande que mal consegue explicar o que acontece e quando percebe tamanho desconhecimento por parte dos pais, chora compulsivamente.

Quem procurou a terapia para a jovem foi a mãe, dizendo que não sabe o que a filha quer da vida, por que gastam dinheiro para ela fazer cursinho/faculdade e pouco tempo depois ela diz que não era isso que queria. A mãe acredita que a filha fazendo tudo o que tem vontade de fazer, deveria ser feliz. Mas, vive trancada no quarto e reclamando da vida que tem. Diferencia o filho mais velho por ser criado da mesma forma e não agir como a jovem.

A garota não sabe mais o que fazer para que os pais preocupem-se com o que ela tem a dizer, tenham ações pertinentes e não somente a comparem com o irmão “perfeito”. O principal problema nesta trama toda é que sua vida emocional perdeu a fluidez em relacionamentos de pouca intimidade afetiva. Sua comunicação geralmente é com acusação, ataque, vitimização, culpa e reclamações.

Sua ultima tentativa de conexão com a família foi entrar em uma loja de roupas (no horário que deveria estar no cursinho) e sair sem pagar os objetos que levava na bolsa. Os pais foram até a delegacia, trocaram agressões verbais com ela e pagaram a fiança da menina. No dia seguinte a mãe entrou em contato comigo desesperada por uma solução para as recorrentes mentiras da filha. Solicitei a presença das duas em meu consultório para entender a situação. Quando as encontrei pareciam dois dragões soltando suas chamas pelas bocas. Acusavam uma a outra em uma confusão de valores sem fim. Desta forma, conseguiram evidenciar a realidade emocional presente na relação familiar: para esconder um grande problema o mentiroso (a menina) usa um recurso também problemático.

Na sessão seguinte a jovem demonstra que as falas e comportamentos que vinha produzindo em sua maioria eram formas de comunicar uma dor que estava submersa. Aquela ultima situação critica vivenciada pela família, abriu espaço para ela fazer uma grave denuncia sobre o irmão: quando ela tinha 12 anos ele abusou de sua inocência e da sua sexualidade.

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