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Criança-brincando

O EXCESSO DE SUGESTÕES NA EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS

Na comunicação entre pais e filhos é muito comum acontecerem as sugestões que, dependendo da forma, do momento e da freqüência de quem sugere, podem ajudar ou prejudicar as crianças.

Vamos imaginar que João está brincando pela primeira vez de montar blocos de encaixar peças. Isso nos conta que é uma coisa nova e por isso ele precisa explorar o brinquedo para entender como ele funciona. De repente, Marcelo, o pai de João, percebe o garoto ali, concentrado, se esforçando e nada de conseguir encaixar uma peça na outra. Marcelo pega as peças das mãos de João e rapidamente elas estão encaixadas. Então, a brincadeira segue assim, Marcelo sugerindo a todo instante como João conseguiria montar o seu helicóptero.

No começo João pode até gostar, mas depois percebe que todas aquelas sugestões, no fundo, significam que seu pai não confia nele e em sua capacidade de encontrar soluções para o seu desafio. Com isso o menino fica inseguro e ressentido, o que pode dificultar o seu desenvolvimento natural. Como resposta, sua reação é resistir e não aceitar mais conselhos, mesmo aqueles que gostaria de seguir.

As crianças precisam ser direcionadas, orientadas e esperam um conselho nosso, mas ficam perdidas ao serem bombardeadas de intervenções a cada movimento que fazem. Elas podem começar resistindo às sugestões que desconsideram seu ponto de vista, suas necessidades e carências. Até chegar ao ponto de demonstrar irritação com o tom e a atitude do “eu sei o que é melhor para você”.

Depois que os pequenos começam a sentir os conselhos como uma intromissão e desrespeito, pode ficar difícil lidar com eles e com a sua resistência. É importante percebermos isso e agirmos de maneira diferente, evitando insistir nas sugestões constantes.

Outro ponto que devemos cuidar é o tom com que fazemos a sugestão, se é um tom de ironia, ordem ou comando é bem provável que seja mal recebida.

As sugestões também perdem sua força quando carregam sentimentos intensos, pois podem bloquear ou inibir algum comportamento das crianças. Isso acontece por uma série de razões, principalmente por medo, timidez, insegurança ou ansiedade.

Por outro lado, dar sugestões e conselhos é importante e útil quando as crianças estão em um impasse ou quando queremos direcioná-las para algo que é necessário fazer. Podemos começar perguntando se a criança aceita uma sugestão nossa. Se isso não for muito freqüente, ela tende a aceitar e reconhecer que estamos atentos, dando apoio, o que é muito bom para se sentir importante para nós. Podemos sugerir uma ou duas alternativas para aquilo que ela insiste em fazer e não consegue ou não deve. O essencial aqui é o tom de encorajamento da sugestão que deve permitir aos pequenos a decisão de mudarem o sentido da sua ação. Frases como “que tal se você tentar assim ou assim…”, dão o direito de escolha para as crianças.

Acredite, as sugestões respeitosas, honestas, carinhosas e que possibilitem escolhas serão bem recebidas e ajudarão no desenvolvimento da autonomia, auto estima e todo o potencial das crianças.

28 de outubro de 2015

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