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O PADRASTO QUERENDO SER PAI

Ricardo é um homem de 40 e poucos anos que vive seu segundo casamento com uma mulher alguns anos mais nova. Raras vezes, ele não comenta sua relação difícil com as filhas do primeiro casamento e sua dedicação com a enteada do segundo. Ele se considera pai de todas elas e ressentido, afirma que suas filhas de DNA o consideram menos pai do que a enteada.

Ele não é único que vive essa realidade. Geralmente o segundo casamento é formado pelo homem sem filho (que ficou com a ex-mulher), e pela mulher com filho do primeiro casamento.

Também é comum a mulher separada ou viúva, procurar um homem mais velho para se relacionar. Já o homem nestas condições tende a se relacionar com uma mulher mais nova.

O curioso é que o homem aceita ser substituído pelo padrasto, mas a mulher, geralmente se recusa abrir mão da maternidade.

Instintivamente a mãe odeia e quando pode, proíbe o filho de chamar a nova mulher do pai de algum adjetivo que denote a ocupação de seu lugar.

Os filhos e enteados podem festejar a recomposição do quadro familiar, seja ele qual for. Mas logo, os meninos tendem a defender a honra materna e paterna (quem é esta pessoa que quer ocupar o lugar da minha mãe/do meu pai?). Quanto às meninas lamentam que a mãe, e não elas, conquiste estes homens; receiam que, aceitando o padrasto, traiam o pai e perdem seu amor e bem mais que os meninos, não querem compartilhar a mãe com ninguém.

A experiência de separação dos pais produz estilos diferentes de filhos. Uns com uma insegurança doentia, por acreditarem que não foram importantes o suficiente para a união dos pais permanecer, mas, em outros, deixou um fundo de sabedoria que resiste ás ideias narcisistas.

Ser pai continua sendo uma questão mais simbólica que real. É aquele que a mãe escolhe como pai. Como consequência disso o homem pode diminuir sua função de pai após a separação. O filho, muitas vezes por “respeito” ao sofrimento amoroso da mãe, mantém com o pai a mesma distância afetiva adotada por ela.

A hostilidade da ex-esposa, abre espaço para que este homem seja um padrasto mais atencioso, já que o laço afetivo com a enteada depende do enlace com a mulher que é mãe dela. Então, se ele separar desta nova mulher, dificilmente manterá uma relação próxima com a enteada, assim como acontece com suas filhas de DNA.

Ricardo se sente desrespeitado e desqualificado pelas filhas. A mãe pode ser responsável por essa situação, por impedir qualquer iniciativa dele em manter uma relação de pai e filha, mesmo não convivendo na mesma casa. O comportamento materno de desautorizar o pai leva as filhas a não reconhecerem a capacidade saudável de Ricardo em querer continuar desempenhando sua paternidade respeitosamente, enquanto isso, ele segue tentando ser um bom pai com a enteada.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

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