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Guia cego

O QUE O FILHO MAL EDUCADO REVELA SOBRE OS PAIS?

Certa vez uma mãe desapontada com o filho me disse:

“Ele é muito mal educado. Reclama de tudo e sempre me faz passar vergonha na frente das pessoas. Da ultima vez que visitamos meu irmão, ele olhou a comida que os tios prepararam para nos receber e reclamou em voz alta, sem demonstrar nenhum tipo de pudor. Na hora percebi que ele acabou com a nossa visita. Tive que dar uma desculpa para ir embora e o clima não ficar pior.”

Até que ponto esta mãe é isenta de responsabilidade?

Mesmo dando todos os argumentos que justifiquem o comportamento do filho, nada muda o fato de que os pais também sejam responsáveis pela continuidade deste funcionamento doentio.

Todos estão pensando mais em si mesmo. Condutas assim representam pessoas movidas por suas próprias emoções, com atitudes regidas por princípios que variam conforme seu interesse.

“Chego do trabalho esgotada e quando ele resiste em desligar o vídeo game para estudar, já estou tão sem paciência para explicar pela vigésima vez a mesma coisa, que acabo deixando, mesmo sabendo que não é certo.”

Pense comigo, esta mãe considerou todos os aspectos deste contexto ou acobertou seu sentimento de culpa projetando-o para fora de si mesma?

A partir do momento em que alguém está ciente de que pode prejudicar outra pessoa, já faz parte do problema, então se torna tão responsável quanto o outro.

“Ele me prometeu que estudou.”

Prometeu, mas não foi o que o boletim dele mostrou. Por que não testar a capacidade dele e dizer que só terá o vídeo game novamente quando suas notas vierem azuis?

A mãe rapidamente respondeu: “mas ele vai chorar, perguntar vários porquês, ficar falando várias vezes sobre o assunto, isso me cansa”. Em quem ela pensou nesse momento, no sofrimento do filho diante de suas responsabilidades ou nas consequências que ela terá de enfrentar também? Sim, ela pensou primeiro em si mesma.

Na realidade, mantem-se nesta condição por comodismo, medo, vaidade ou qualquer outro sentimento que não vai de encontro com algo nobre que justifique sua atitude. Admitir que faz algo errado e continuar alimentando esta mecânica, também não diminui os impactos da situação.

E se os pais esperarem do filho que ele aja para tomar suas atitudes, ele continuará esperando que alguém tome a iniciativa antes dele e ninguém se importará com a sua parte de responsabilidade.

Não quero tirar a responsabilidade de ninguém, mas agora não podem mais alegar ignorância sobre sua parte na historia, a escolha está na mão de todos.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

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