R. Antônio de Barros, 2391 - São Paulo/SP
(11) 2925-5653
obesidade

OBESIDADE

Certa vez atendi uma garota muito querida que teve a orientação médica de realizar acompanhamento psicológico para ressignificar seus pensamentos em relação à comida/vida/ansiedade/medo.

Durante seu tratamento, apontava ter sido mimada pela mãe e a culpava pelo seu excesso de peso. Desde pequena tinha dificuldade em comer e a mãe lhe forçava a ingestão dos alimentos. Por muito tempo a preocupação da mãe motivou uma frequência na escola da filha no intervalo do recreio para entregar-lhe o lanche e certificar-se de sua saciedade. A mãe não sabia, mas também se saciava ao alimentar seu desejo inconsciente de ser a mãe amorosa e cuidadosa com a filha.

A menina percebeu que quanto mais recusava comida, mais sua mãe era persecutória em alimentá-la. Então, passou a dizer sim para tudo o que lhe era oferecido.

Comer passou a ser um ato que ia muito além da satisfação biológica e se tornava uma tentativa de compensar seus estados emocionais de ansiedade, frustração, tristeza, desgosto e desilusão.

E qual era a ânsia dessa garota? Ela tinha fome de vida!

Queria engolir o mundo a sua volta para sentir a vitalidade que lhe faltava. E como sua mãe tinha dificuldade em colocar limites de maneira assertiva, a filha estava com o seu regulador interno confuso para sentir-se saciada na vida.

A princípio parece um cuidado carinhoso com o bem estar da filha, mas se olharmos com mais cuidado notaremos uma dose de exagero que faz com que as duas percam sua vontade de viver plenamente e degustar das coisas que a vida tem a oferecer, sejam elas boas ou ruins.

Para a menina o ganho de peso passa a ser uma escolha entre querer ceder ao prazer imediato ou se conter em impulsos cegos, responsabilizando-se por si mesma.

Todos nós desenvolvemos a sensação de fome e saciedade. Biologicamente, sabemos quando devemos começar a comer, por que estamos com fome, e quando parar por que estamos saciados.

Por excesso de amor e por achar que dando comida estão dando carinho, algumas mães tem dificuldade de entender que pequenas quantidades de comida podem ser suficientes para saciar o filho. Como o relógio biológico do filho está sendo desrespeitado chega um momento que já não consegue distinguir quando come por fome ou por ansiedade, medo, raiva ou qualquer outro sentimento.

Em ambos os casos exige nosso cuidado, carinho e respeito. Assim, o amor consciente e o olhar para o autocuidado funcionam como pontos chave para que mãe e filha possam se ver no espelho e sentirem-se felizes com as escolhas que fizeram e a pessoa que são.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

Posts Relacionados

Deixe uma resposta