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OS EFEITOS DO EXCESSO DE “NÃO”

A rotina com crianças é um processo complexo que envolve afeto, presença, disciplina e vários desafios. Nesse fluxo constante, muitas vezes o Não surge como única forma para conduzir as situações. Hoje vamos falar sobre os efeitos do uso freqüente do Não e pensarmos em novas ferramentas que geram resultados positivos no dia a dia da educação dos pequenos.

É importante entendermos o que é esse Não e o seu real significado na educação das crianças para não ser usado sem um propósito claro, apenas por impulso e tentativa de evitar ou parar um comportamento que não nos agrada.

Esse Não que aparece repetidas vezes, pode denunciar um mecanismo de defesa da nossa mente chamado de negação. Ele se manifesta toda vez que nos recusamos a perceber aspectos desagradáveis de uma realidade interna ou externa que estamos vivendo. Por esse motivo, acredito na necessidade de encorajar pais e mães a pensar e prestar atenção aos momentos que de fato seja válido usar o Não.

Vamos imaginar um adulto que você conhece e, na maioria das vezes, se opõe às outras pessoas. Aquele que de alguma forma (verbal ou corporal) se mostra fechada a participar, dá pouco de si e quando oferece algo, desconsidera a opinião dos outros e acha que está sempre com a razão. Sua fala demonstra pouca conexão com a sua realidade intima, o que faz diminuir a credibilidade no que ela diz. Podemos sentir que a nossa presença é desconsiderada, que não existe um respeito e curiosidade por aquilo que pensamos e sentimos. Esse é o tipo de pessoa que nos impressiona o distanciamento geral que tem dos outros, de nós e possivelmente de si mesma.

Os pais que adotam esse ponto de partida, na intenção de educar, talvez estejam se afastando dos filhos. Evitam situações que exijam mais envolvimento, presença e esforço, sem perceber que é exatamente através delas que existe a troca de conhecimento. O aprendizado mútuo da fala, escuta, compreensão e da formação de vínculos de parceria com os filhos.

Ao invés de proibir, podemos interagir um pouco com as crianças e depois explicar que precisamos voltar para os nossos afazeres. Ao longo do tempo, nossa cooperação, vai mostrando para as crianças que, da mesma forma, que em alguns momentos elas podem contar com a gente, em outros precisaremos da colaboração delas. Essa cumplicidade vai se formando e o resultado é que fique cada vez mais tranqüilo o direcionamento das situações.

A idéia não é que você se transforme em uma pessoa que diz Sim para tudo, passar por cima das regras da casa ou colocar a criança em risco. Mas, pensar que dizer Não para coisas simples do cotidiano, além de criar um distanciamento da realidade aqui agora, pode impedir que vocês experimentem novas possibilidades, descubram e desenvolvam novos conhecimentos, sensações e sigam na vida aprendendo mais sobre si mesmo e sobre o outro.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

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