R. Antônio de Barros, 2391 - São Paulo/SP
(11) 2925-5653
pai e filho

PAI EDUCANDO O FILHO SOZINHO

Certa vez recebi em meu consultório uma avó desesperada. Estava acompanhada do neto Mateus de 5 anos. Ela dizia que a mãe do garoto tinha ido embora e deixado Mateus com o pai (filho dela). Informou que o pai não sabia muitas coisas sobre o menino, sua rotina ou seus gostos pessoais, sabia apenas quanto pagava de escola. Inicialmente esse pai se cercou da ajuda de sua mãe. Ele era um típico pai provedor, distante e ausente. Com acompanhamento psicológico familiar, ele está descobrindo o pai que realmente pode ser. Interessado, envolvido e feliz com a relação que está construindo com filho na ausência da mãe.

Como o pai de Mateus, existem muitos outros capazes de cuidar do filho sozinho. Mesmo que precisem delegar a função de cuidador a alguém que possa ajudar enquanto estiver trabalhando.

Pode não parecer ser uma tarefa fácil realizar o que muitas mães executam tranquilamente. Isso se torna ainda mais difícil quando percebemos que muitos homens ainda se atrapalham com o seu cuidado pessoal.

Esse é um grande desafio que poucos se arriscam a viver. Acredito que pelo fato de as mães serem vistas como anjos que ficam ao lado de Deus e sendo tão sagradas não podemos questionar suas atitudes. Todo cuidado é pouco ao se falar de mãe para não correr o risco de ser visto como maldoso ou ingrato.

Todos nós, seres humanos, somos passíveis de enganos e gestos egocêntricos. As mães não são diferentes. A condição de carregar o filho na barriga, não torna necessariamente essa mulher mais valiosa que o homem.

O fato é que diferentemente das mulheres, os homens se mostram limitados emocionalmente para administrar sentimentos e relações profundas, o que impacta na educação do filho.

O que está em evidência é a relação conflituosa entre pai e filho. Neste cenário, a imaturidade do pai acaba sendo fator secundário. Em primeiro lugar aparece o ressentimento da mãe que usa seu filtro emocional (baseado na relação amorosa com o ex-parceiro) para determinar qual será o tipo de conexão que deve existir entre ele e o filho.

O filho sequestrado emocionalmente pela mãe segue compadecido com o sofrimento da mãe, olha com vergonha de demonstrar amor e com medo de se aproximar do pai, pois intimamente sabe que isso pode ferir a sensibilidade materna.

Essas mães dificilmente irão assumir que contaminaram o olhar do filho contra o pai, sua justificativa será de ajudar o filho ver o quanto aquele homem (pai) é imprestável.

Independente da qualificação deste homem (imprestável, cafajeste, sem caráter), ele é tão pai quanto a mãe é mãe. Ambos devem educar adequadamente o filho para que ele possa se relacionar com os dois com os olhos de amor, ficando a ele o critério de decidir qual o adjetivo será associado aos seus progenitores.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

Posts Relacionados

Deixe uma resposta