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PAI PRESENTE, PAI AUSENTE E FUNÇÃO PATERNA

Durante muito tempo a nossa cultura nos direcionou a pensar que para um desenvolvimento saudável da personalidade de uma criança, seria necessário a presença de uma figura de pai e outra de mãe, essencialmente ligadas ao gênero homem e mulher. Realmente, existem duas funções psicológicas fundamentais para esse processo acontecer, porém, não são necessariamente exercidas por um homem e uma mulher e nem obrigatoriamente por duas pessoas distintas.

Essas funções psicológicas são chamadas de função paterna e função materna. Elas podem ser desempenhadas por dois homens, duas mulheres, invertidamente entre homem e mulher, por apenas um homem ou uma mulher(irmão, avó, tia, primo, sobrinha), ou seja, por qualquer pessoa.

De modo geral, a função materna é aquela responsável pela harmonia, comunhão e afeto com a criança. De uma maneira sensível ensina a capacidade de confiar, amar e se emocionar diante da vida e das pessoas. É a responsável por oferecer toda essa estrutura emocional que nos constitui como ser humano que sente o que vive.

A função paterna é aquela que possibilita o confronto de dados da realidade com a criança, tirando-a do egocentrismo e fazendo que consiga gradualmente perceber e respeitar as regras e limites de convivência. É a responsável por oferecer um pouco de racionalidade, frustrar os desejos infantis e ajudá-la a organizar seu caos interno. É a regra que previne o comportamento inadequado, pouco cuidadoso, maldoso e em, ultima instância, criminoso.

Estou explicando tudo isso porque muitas vezes justificamos o mal comportamento infantil, acreditando que isso foi desencadeado pela ausência do pai. A vida sem um pai não garante ao filho um futuro de comportamentos problemáticos, mas a idealização de que a vida seria perfeita com essa presença, sim.

O que acontece é que a maioria das pessoas quer poupar demasiadamente as crianças desse contraste entre os desejos e a realidade. Se curvam para fazer esse trabalho difícil, mas tão necessário, de explicar as regras e fazê-las realmente valer.

A função paterna, é vista como falta de amor, é confundida com a necessidade de maltratar ou usar a força física para ajudar a criança a construir esse senso de respeito e limite. Desamor, seria o pai ou a mãe legitimar todas as ações do filho sem ajudá-lo a absorver valores e princípios norteadores para um convívio social de qualidade.

O ponto é não associarmos a função paterna à presença de um pai e sim ao afeto dado no carinho e no limite, no explicar e no cumprir regras estabelecidas. Esse auxilio vai transformar a criança em um adulto consciente da conseqüência de suas atitudes dentro e fora de casa.

Se tornar um pai presente para alguns homens é também um processo gradativo  e as vezes mais difícil de ser assimilado, já que é no corpo das mulheres que os bebês se desenvolvem, são elas que passam pelas mudanças corporais e todas as sensações que a gestação envolve. Mas isso não os impede de participar perguntando o que a mulher está sentindo, ajudá-la a compreender todas as mudanças que estão acontecendo, estar presente, comprometer-se e dedicar-se ao filho e nova rotina da casa.

Outro ponto ainda muito forte é que alguns homens são pouco orientados a agir com sensibilidade e afeto, se fecham em seu silêncio emocional, talvez com medo de serem julgados “femininos” demais, tornam-se excessivamente rígidos e severos demais consigo mesmos e, conseqüentemente, com os filhos. Esse tipo de homem tem dificuldade de se relacionar com pessoas que não fazem as mesmas coisas que ele. Então, como vai interagir com o filho recém nascido? Diante dessa lacuna, se mantem acuado e muitas vezes acomodado a pagar as contas. Pagar as contas é importante, mas de certa forma incompleto e impessoal, pois uma criança não consegue interpretar a presença/ausência do pai, imaginando-o nas paredes da casa, na creche, nos brinquedos, na viagem de férias e etc.

Para se fazer presente é preciso estar aberto a interagir, criar um vínculo afetivo e educacional com o filho, com todo amor e respeito que ele merece, encorajá-lo a explorar o mundo, a lidar com os limites e incompletudes da vida, a buscar sua independência e acompanhá-lo em todos seus processos de aprendizado e descoberta.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

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