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PAIS E AVÓS NA EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS

Para os pais que aceitam o desafio de ter filhos sem abrir mão da carreira, é muito comum a parceria com avôs e avós na educação das crianças. Esse convívio entre gerações pode ser muito enriquecedor, mas precisa ser administrado de uma maneira em que todos os papéis sejam preservados e respeitados.

Ficar na casa dos avós geralmente é sinônimo de diversão, comer bolo antes do almoço, tomar refrigerante sem limites e brincar até encardir toda a roupa. Eles temperam nossa educação com cultura complementar, contam historias da família, de como viviam em outras épocas e como vêem o mundo atualmente. Tudo isso é uma delícia de se viver, é um amor mais leve e sem tantas cobranças. Os avós vivem outro momento de vida. Já educaram seus filhos e perceberam que um tempo precioso é perdido com preocupações irrelevantes enquanto se deixa passar o que pode ser realmente importante. E agora, diante dos netos, tem mais tempo livre (que os pais nem sempre têm), disposição e paciência para ouvir a criança e, em alguns casos, dinheiro para proporcionar momentos agradáveis aos netos.

O ponto que vamos falar está relacionado à situações em que os avós acham que os filhos não estão preparados para criar seus próprios filhos, ou então, os filhos que acreditam que sua falta de estrutura é uma oportunidade de delegar aos avós a responsabilidade de educar seus filhos.

No primeiro cenário pode acontecer de os avós não reconhecerem nos filhos sua mínima capacidade de se adaptar a uma nova situação e o amadurecimento que a maternidade/paternidade vai desenvolver. Por amor, tentam poupá-los do excesso de trabalho dentro e fora de casa, e sem perceber, reforçam a infantilização ou incapacidade desses pais de desempenharem seus papéis. Pode ser também que exista uma vontade dos avós em serem pais novamente com o propósito, muitas vezes inconsciente, de terem uma nova chance de corrigir algum erro que imaginam ter cometido na criação de seus próprios filhos, de não errar novamente; ou para evitar que os filhos eduquem seus netos de uma maneira que consideram inadequada/incorreta; ou ainda muitas outras tentativas de resgatar algo de si mesmos nesse novo processo. A vivacidade, o brincar, a leveza e fluidez que a infância dos netos proporciona.

No segundo cenário pode ser que exista por parte dos filhos que se tornaram pais a falta de conhecimento ou de estrutura financeira, física, emocional, temporal ou ambiental, mas isso não isenta sua responsabilidade maior em educar a criança. Podemos levar em consideração a experiência dos avós e o fato de observarem a família de uma perspectiva diferente, dando espaço para o diálogo e sugestões que complementem a educação dos netos. No entanto, quem estabelece os valores e as regras educacionais são sempre os pais da criança. Mesmo que os avós não concordem, é importante que tenham a consciência de que os principais educadores são os pais e que o ajuste e a coerência de atitudes gera benefícios para a criança.

Para que a dinâmica familiar seja harmoniosa, os pais precisam se posicionar e deixar claro o que desejam que os avós façam com os netos. Pois, não é justo reclamar dos avós, sendo que eles ajudam quando os pais precisam. Assim como também não é justo os avós acharem que podem agir como quiserem com os netos, contrariando toda a base educacional que seus filhos estabeleceram.

Caso não exista nenhuma possibilidade de acordo entre pais e avós sobre a educação da criança, uma boa alternativa é conversar com a criança que tudo o que os avós permitirem vale somente quando está com os avós ou na casa deles. Quando estiver com os pais ou todos juntos, vale o que é determinado pelos pais.

O segredo é a conversa no sentido de que ambientes diferentes, tem regras diferentes e isso não deve significar a existência de mais ou menos amor. Com essa postura podemos preservar a importância de cada papel, respeitar e agradecer cada participação e melhorar o relacionamento familiar.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

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