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POR QUE AMEAÇAR É TÃO PREJUDICIAL QUANTO GRITAR E BATER?

Os pais estão cada vez mais empenhados em corrigir e educar os filhos sem a necessidade do grito e da agressão. No sentido contrário à esse funcionamento, acabam buscando novos recursos para conseguir algo das crianças e, sem perceber, a conversa e os combinados acabam partindo de um lugar ameaçador.

A postura de ameaçar a criança para que ela tenha um comportamento que desejamos, ao invés de demonstrar um direcionamento saudável, evidencia o nosso desequilíbrio interno diante da situação e faz com que os pequenos se sintam responsáveis por coisas que não são. Isso acontece porque a ameaça carrega em si toda uma rigidez e medo de perder o controle da situação. Ameaçar, bater ou gritar funciona apenas como descarga de tensão da pessoa que faz isso. É como se nada pudesse sair do seu planejamento pessoal, assim foge da sua dor e atribui ao outro viver as conseqüências de suas atitudes impensadas.

Como resultado das ameaças, vemos crianças com um nível elevado de ansiedade, medo e angústia dentro do coração. Essas emoções podem desencadear comportamentos reativos nas crianças como confronto com os pais, o roer as unhas ou algum “tique”.

Ao perceber a tensão que as ameaças carregam no “se você não passar protetor, não vai para piscina” ou “pára de chorar, se não parar, eu vou embora”, a criança se vê sem saída e pressionada a fazer aquilo que os pais desejam. No medo e em estado de alerta constante, sua ansiedade aumenta e ela não relaxa para viver a situação com naturalidade. Se percebe em desvantagem, pequena em relação aos pais e entra em confronto com eles. O único objetivo nesse embate, tanto dos pais, quanto das crianças é vencer. Isso diminui as chances dessa criança aprender novas formas de se expressar, conversar e entender os seus limites internos e os dos pais.

Nesse cenário, a criança não vive o ciclo completo da aprendizagem e não compreende a conexão entre suas atitudes às conseqüências. O que acontece é a vivência dessa pressão e a vontade de deixar os pais também nesse lugar de constrangimento. Esse processo faz com que a criança perca a referência que tem de si, não perceba seu comportamento e nem a presença dos pais até que eles cheguem nesse ponto da ameaça.

O nosso desafio é ao conversar e fazer combinados, lembrar que cada vez que não cumprimos com aquilo que falamos, estamos diminuindo a força da nossa palavra. Ou seja, de nada adianta dizer: “Eu vou embora e te largar ai chorando”. Isso é verdade? Você realmente conseguiria deixar seu filho no shopping chorando e ir pra casa sem ele? Acredito que não. Então, perceba qual o propósito de fazer essa ameaça e procure outros caminhos que não abalem a segurança que seu filho tem com você.

Caso perceba que extrapolou, peça desculpas. Admitir que ficou triste com o que aconteceu, que estava bravo e exagerou, demonstra respeito e ajuda a recuperar a confiança e carinho com o seu filho.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

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