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procrastinar

POR QUE AS CRIANÇAS ENROLAM PARA FAZER A TAREFA ESCOLAR?

Alguns pais já me questionaram por que seus filhos sempre adiam as tarefas escolares. Revelam uma grande dificuldade para o filho sentar e fazer apenas a lição de casa. O filho prefere jogar um pouco mais de vídeo game, assistir aquele canal de televisão interessante e acaba deixando o estudo para a última hora, quando faz.

Se a criança vive em um ambiente de incertezas e não tem um tempo determinado para a execução de alguma coisa, ela vai aprender a adiar muito mais do que as outras crianças que sabem exatamente seu prazo para realizar cada uma de suas atividades diárias.

Esse comportamento é comum em crianças, no entanto, muitos adultos também não conseguem cumprir com seus compromissos.

Todos nós somos procrastinadores. Cada um da sua forma, uns mais outros menos.

Agimos assim em relação às nossas atividades. Se separarmos as atividades que gostamos de fazer das que fazemos porque temos obrigação, será comum adiar aquela que de alguma maneira envolve uma punição se não fizermos.

Se gostarmos de fazer serão executadas rapidamente, sem questionamentos e com maior envolvimento.

Quando exige um esforço, habilidade ou dedicação maior e que vai competir com algo mais agradável, serão deixadas para depois ou serão concluídas no ultimo minuto que tivermos para evitar a punição.

Nem sempre temos consciência a respeito desse comportamento. Aos poucos, vamos dividindo nosso tempo de maneira que a gente tenha uma sensação maior de satisfação e proveito da vida do que aquela sensação de dedicação exclusiva ao que é trabalhoso.

Na maioria das vezes há um medo inconsciente de expormos nossas fragilidades, como fracassar ou errar.

Adia-se o que é custoso emocionalmente e cumpre-se o que dá prazer momentâneo.

Porém, ao passo que adiamos muito e muitas coisas, vamos dando sinais de que estamos vivendo uma vida infeliz. Além disso, surge a culpa, a ansiedade, a baixa autoestima e a insegurança. São desconfortos psicológicos que podem causar a depressão ou outra patologia que necessita de tratamento.

A indicação é fazermos primeiro aquilo que é chato para depois se satisfazer com o que é legal. Com as crianças, esse processo é ainda mais necessário para que elas consigam criar hábitos saudáveis e saibam ajustar suas necessidades.

Ajudá-las a assumir que sentem maior ou menor satisfação em fazer algo é o primeiro passo para criarem a consciência do que motiva ou não a execução das atividades. Mesmo não tendo a habilidade necessária, é preciso quebra-la em pequenos desafios para cumprir, passo a passo, o objetivo. As tarefas serão gradativamente menores e de rápida conclusão. Aliadas a um prazo possível, as crianças conseguem se planejar e se adaptar um pouco melhor. Tudo isso pode ser feito de uma maneira lúdica e divertida, o que possibilita tornar uma atividade que antes era desconfortável em algo mais prazeroso.

Nosso desafio é mostrar para os pequenos que errar faz parte do aprendizado. É preciso deixarmos de lado a insegurança, conhecer nossas limitações para aprimorá-las e não temer decisões. Acreditar que todo desafio nos ajuda a nos conhecermos melhor para fazermos escolhas mais conscientes.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

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