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PRESENTES E RECOMPENSAS

Outro dia estava conversando com uma mãe e ela descrevia um sistema de recompensas que tinha criado para a sua filha. Funcionava assim, quando a menina se comportava adequadamente durante a semana, recebia um novo presente. No fim da conversa, a mãe me perguntou: “O que acha disso?”, eu respondi, “O que acha que eu acho?”. Ela ficou calada por alguns segundos e depois disse: “Eu acho que você não gosta.”

Pois é, eu não gosto e vou explicar o que penso sobre isso.

A nossa intenção é muito boa quando utilizamos presentes e recompensas para conseguir um comportamento novo ou diferente das crianças. Ao mesmo tempo que conseguimos satisfazer uma necessidade nossa, as crianças também podem aprender algo e ainda ganhar uma coisa que ela queria muito.

A verdade é que esse sistema pode funcionar, porque isso gera um propósito para a criança de receber o prêmio.

Quando a criança entende que será premiada pelo bom comportamento, o seu guia interno fica confuso, ela pode ignorar sua real vontade de agir daquela maneira ou respeitar as necessidades de outras pessoas e começa a se guiar por motivadores externos. Então, ela não vai fazer algo porque entende a importância de ser feito, mas sim pela vontade de receber algo em troca.

Essa criança pode ter dificuldade em manter sua auto-estima e se tornar dependente da validação ou elogio do seu comportamento para se sentir bem.

Sua motivação será sempre baseada em algo que vem de fora e esta relação ganha-ganha pode se reproduzir também nas outras áreas de sua vida. “Vovô, se me der um chocolate, tiro o meu prato da mesa.”

Após algum tempo esse sistema de recompensas pode sofrer inflação e a criança querer negociar “Quero 3 chocolates para tirar o meu prato da mesa.” Rapidamente, ensinamos os pequenos a pensarem “O que eu ganho com isso, se não ganhar nada, porque eu vou fazer?”

Será ainda mais desafiador sairmos desse ciclo de recompensas se nós adultos estivermos desconectados da nossa motivação interna, dos valores que acreditamos, dos propósitos de cada atitude nossa.

Podemos conduzir as situações oferecendo escolhas, mostrando sempre uma boa atitude e o resultado positivo que a criança terá ao continuar com essa postura. Por exemplo, “Você prefere tirar o prato da mesa sozinho e a gente demorar mais tempo para começar a brincar ou quer que eu te ajude e a gente comece a brincadeira mais rápido?” Perceba que o “tirar o prato da mesa” já está inserido nas duas opções dadas e a criança tem a liberdade de escolher como ela fará isso, mas não tem a opção de não fazê-la.

Assim saímos do embate e geramos consciência e responsabilidade. Os pequenos experimentam o lugar de quem escolhe e vive o resultado direto dessa escolha e os adultos saem do lugar que pune, deixam de ser protagonistas dessas conseqüências para ser torcedor das boas escolhas. Desse lugar de amor, respeito e parceria, ensinamos que todas as escolhas são feitas por nós e por isso nos tornamos responsáveis também pelas conseqüências do que foi escolhido.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

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