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o brinquedo quebrou

QUEBRAR E ROUBAR BRINQUEDOS NA INFÂNCIA

É muito comum na infância algumas crianças se apropriarem as escondidas de algo que não é delas. Outro comportamento considerado comum nessa fase da vida é quebrar brinquedos e objetos. Tanto um quanto o outro, exigem a nossa atenção e cuidado para orientar os pequenos.

Crianças até o 3 anos de idade ainda não possuem toda sua capacidade cognitiva desenvolvida para compreender o que é quebrar e roubar. Então, na maioria dos casos, ela não age intencionalmente ou com maldade. Está tão curiosa para saber como funciona o brinquedo que acaba destruindo ou então acha que pode apropriar-se do que for interessante para ela. Outra possibilidade é a criança estar com dificuldade em lidar com alguma emoção como raiva, tristeza e medo, usando o objeto para descarregar sua agressividade.

Nestes momentos, achar graça, ignorar, bater ou tomar o objeto agressivamente da mão da criança, são atitudes pouco funcionais.

Nosso desafio é entender se a criança está realmente apenas explorando as coisas para saber como tudo funciona. Isso é algo natural e positivo, mas merece nosso acompanhamento para evitar que a criança desmonte ou quebre tudo o que vê, coloque pedaços pequenos na boca e se machuque.

Quando há evidências de um comportamento destrutivo por trás da quebra do brinquedo, devemos nos direcionar para a criança, olhando em seus olhos, com carinho e segurança explicar que não podemos quebrar as coisas. “Elas são importantes para alguém, respeito seu direito de ficar irritado/triste/medo ou não gostar daquele objeto, mas não tem o direito de destruí-lo”. Como conseqüência a criança precisa acompanhar o reparo do objeto, sabendo que está fazendo isso, justamente porque ela o quebrou. Em uma situação oposta, também podemos gostar muito de uma coisa, mas isso não nos dá o direito de pegar o que não é nosso sem a permissão do dono ou sem ter pago por aquilo, da mesma forma que ninguém pode pegar o que é nosso sem a nossa autorização. Neste caso a conseqüência é acompanhar a criança até o dono e lhe auxiliar a devolver o objeto, pedir desculpas ou então pedir-lhe emprestado, combinando o prazo para a devolução.

É comum que os pais se sintam envergonhados ou humilhados pela atitude do filho e esses sentimentos também devem ser respeitados e transmitidos à criança. Em uma conversa tranquila, falar como nos sentimos com o que a criança faz e abrir espaço para ouvir dela o que sente. Isso nos auxilia a diminuir a intensidade das emoções e usar toda nossa capacidade intelectual para entender a situação, os possíveis motivos desse comportamento e pensar junto em soluções.

Ao mostrarmos que existem muitos caminhos para lidar com as coisas que adoramos ou detestamos, a criança percebe que algumas atitudes não são admiráveis, que podemos evitar o constrangimento e conseqüências graves, como ser preso. A nossa atenção ao comunicar e acompanhar esse processo do início ao fim, faz toda a diferença para que a criança sinta-se respeitada, segura com nosso suporte e capaz de fazer boas escolhas.

Quando estimuladas a pensar e viver as conseqüências, as crianças são capazes de considerar o ponto de vista do outro, exatamente porque estão sendo respeitadas em seu ponto de vista. Este hábito é algo que precisa ser praticado desde os primeiros anos de vida, assim fica cada vez mais natural esse processo de respeito pelo o que é nosso e pelo o que é do outro.

Algo que pede muito mais a nossa atenção é quando somado ao comportamento de furtar ou quebrar, a criança não demonstre arrependimento pelo o que fez ou mostre uma sensação de prazer em estar fazendo aquilo. Nesses casos, pode existir alguma alteração significativa na estrutura e funcionamento psíquico, por isso é indicado a ajuda profissional para a avaliação e tratamento adequado.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

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