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RESPONSABILIDADE DA CRIANÇA E RESPONSABILIDADE DO ADULTO

Hoje vamos falar sobre responsabilidade. Uma característica relatada pelos pais de maneira recorrente sobre os filhos que demonstram um sentimento excessivo de medo e insegurança. Processo natural no desenvolvimento infantil, mas que precisamos cuidar para que as crianças não tenham preocupações que não são típicas de sua idade.

Esse é um assunto muito delicado, porque muitas vezes precisamos ajudar as crianças a não ter medo ou insegurança de algo que, nós adultos, podemos ter. É importante que mesmo com as nossas dificuldades a gente consiga transmitir segurança e tranqüilidade para os pequenos.

Essa condução tranqüila e confiante pode acontecer quando mantemos as crianças no mundo infantil, evitando transferir responsabilidades que elas não tem capacidade(socioafetivo-cognitivo) de decisão.

Na intenção de despertar a autonomia, muitos pais perguntam aos filhos se eles deixam ou se querem fazer determinado tipo de coisa. Esta é uma conduta muito positiva quando se quer ouvir e respeitar os sentimentos, limites e as necessidades da criança.

Porém, existem situações em que a criança não tem mais escolha ou não expressa uma necessidade legítima. Nesses casos, cabe a nós recusar, acolher as emoções da criança e direcioná-la ao que é preciso ser feito.

Se a criança tiver todos os seus desejos imediatamente atendidos, perderá a noção dos próprios limites, de sua identidade, de suas potencialidades e conseqüências enquanto criança.

Isso pode acontecer por uma dificuldade dos pais em identificar e nomear a intenção por trás do choro e das expressões corporais dos filhos.

Nesta dificuldade, as necessidades da criança seguem como um enigma e os pais sem saber o que fazer para o incômodo do filho passar. Ao longo do tempo, o choro ou qualquer outra forma da criança expressar suas necessidades, desejos e sentimentos, passam a ser visto como um comportamento sem sentido ou algo que faz para irritar os pais.

A criança entende que se permanecer com sua linguagem infantil não será compreendida, continuará desamparada e sentindo-se insegura em relação aos cuidados que recebe.

Uma das possíveis reações da criança para se adaptar a esse contexto é sair de sua espontaneidade e ir ao encontro do mundo adulto. Aprender a linguagem e comportamento dos adultos.

Ao fazer isso, ela antecipa o desenvolvimento de suas habilidades, o que lhe permite cuidar de si mesma e buscar aquilo que precisa por conta própria. Porém, ela percebe que exercer todo esse controle sobre o seu mundo sozinha, ainda é um lugar inseguro e por isso seu medo e insegurança vão continuar ali escondidinhos dentro dela.

Essa sensação de equilíbrio conquistado é bastante frágil e pode ser comprometida em uma situação em que a criança for submetida a um imprevisto, como no caso de não receber a bala que tanto queria. A imagem da bala pode colocá-la em contato com suas necessidades e desejos que precisaram ser abafados por conta dessa adaptação ao mundo dos adultos. No desejo de recuperar seu lugar de criança, ela perde o controle e abre espaço para tudo isso se manifestar.

Nosso desafio é não demonstrar medo da raiva das crianças, é deixar claro que estamos atentos a suas necessidades. Lhe damos o direito de senti-las e, ao mesmo tempo, ajudamos a colocar em palavras as experiências que ela não entende muito bem como funcionam. Assim, ela pode confiar nos cuidados que recebe de nós, pois esse é o trabalho do adulto.

Sabendo que estaremos ali para ajudá-la nesse processo de acolhimento e direcionamento, ela fica livre para ser criança e dessa forma aprender gradativamente a lidar com as situações que vão surgir ao longo do caminho.

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