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ROENDO AS UNHAS E AS EMOÇÕES

Desde pequenos vivemos alguns sentimentos como tristeza, medo, raiva, alegria e amor. Muitas vezes por não sabermos como lidar com eles, passamos a infância e as vezes a vida toda roendo nossas unhas imaginando que este hábito minimize as sensações que nos causam inquietação.

O costume de roer as unhas pode começar a partir dos 3 anos e a prática está relacionada com a despedida da fase de independência total dos pais. A partir deste momento a criança começa a fazer as coisas sozinha e enfrenta desafios que não tinha quando era bebê.

Roer as unhas também é uma forma de comunicar a descoberta de seus sentimentos.

Nosso papel como educadores não é o de reprimir esse ato dando tapa na mão da criança quando estiver com os dedinhos na boca. Pessoas autoritárias, inibem o desenvolvimento da agressividade essencial à criança. Aquela necessária para se posicionar com assertividade e coragem, dizendo o que sente e pensa, sem ceder à pressões ou intimidações de outras pessoas.

Podemos nos mostrar companheiros dessa jornada, ajudando as crianças a viverem suas emoções de maneira sincera, positiva e construtiva.

A tristeza pode ser apresentada como um local escuro, que é difícil saber onde está a porta de saída e que pode causar a sensação de estar sozinho, sem esperança e com vontade de chorar. Em alguns casos, para tirarmos a criança da tristeza damos doces, passeios, brinquedos e etc. Acreditamos que fizemos o melhor para ela, que agora está com o sorriso no rosto. Porém, se a tristeza não for compreendida, digerida e superada, ela continuará escondidinha dentro da criança. Nosso desafio é ajudá-la a nomear esse sentimento, descrever o que viveu e seguir adiante para lidar com a situação que lhe causa tristeza.

O medo é aquele que nos protege de ataques dos animais ferozes ou de algo que nos coloca em uma posição de fuga para preservarmos nossa vida. Porém, em muitos momentos nosso ponto fraco é termos medo das crianças sentirem medo. Nesta hora, ficamos todos ali estagnados, angustiados e sem saída. Nossa postura ajuda muito no enfrentamento desta emoção. Encarar aquilo que desconhece sabendo que tem alguém ali, junto, torcendo e ajudando faz toda a diferença para a criança nessa trajetória.

Na escuridão podemos nos deparar com a raiva, pensar em tudo o que aconteceu e culpar a nós mesmos ou outras pessoas por estarmos daquela forma. É importante mostrarmos para as crianças que todos nós sentimos raiva, mas não devemos agir com raiva. Essa diferenciação é essencial para o desenvolvimento de outras habilidades que ajudarão a se relacionar com o ódio de outra forma.

A alegria é quando estamos abertos para viver momento a momento sem oferecer obstáculos, condições externas ou ideais para favorecer nossos próprios desejos. Ela pode ser contagiante, intensa e acompanhada por sorrisos e gargalhadas.

O amor é o anfitrião de todas as nossas emoções. É aquela necessidade que temos de contato, toques e cuidados de maneira acolhedora e exclusiva. Ele nos prepara a dar e receber o carinho fundamental a todas as pessoas.

Na jornada da vida esta troca de afetos gera confiança para vencer os desafios.

Com o tempo estes exercícios mentais vão possibilitando a criação, educação e o desenvolvimento de crianças que se conhecem, se aceitam e se renovam a partir da consciência de seus sentimentos.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

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1 comentário

Ana, colocações muito bem explicadas. O amor para com os filhos acaba por ser confundidos pelo sentimento de posse e faz com que as crianças sintam-se confusas nos seus próprios sentimentos. Parabéns

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