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divorcio, separação

SEPARAÇÃO: PAI RECRATIVO, MÃE SACRIFICADA OU VICE VERSA

Quando recebo casos de crianças em que os pais são separados, percebo que por trás do discurso daquele que está ali, geralmente a mãe, há uma queixa muito sutil em relação ao papel do pai.

Alguns pais separados preferem se afastar dos filhos e se comportam como se não os tivessem. Abandonam o esquema familiar e aqueles que se sentiam presos, agora vivem ao máximo sua independência, autonomia e liberdade. As vezes, cumprem apenas com o que a lei determina em relação à antiga família, pagar a pensão e ter encontros esporádicos com o filho. Não é raro que o pai separado tente comprar o perdão e amor do filho com brinquedos, passeios e viagens. Este pai é brincalhão, leva o filho e seus amigos à lugares que eles gostam e faz festa com tudo.

Enquanto isso, a mulher se sente desvalorizada e acaba tentando compensar a frustração conjugal exagerando em seu papel de mãe. Super cuidadosa com os filhos, pouco a pouco, vai esgotando sua auto-estima a cada vez que se lembra o quanto anulou-se para dedicar-se totalmente à família. Agora se dá conta que sempre fez tudo sozinha nessa jornada de educar os filhos. Ela quem sempre acompanhou as tarefas de casa, foi as reuniões escolares, levou ao médico, cobrou disciplina e acabou se tornando a “mãe chata”. O pai sempre ficou com a parte mais recreativa, brincar, passear, curtir os momentos de lazer com o filho e se tornou o “pai legal”.

Com isso, pode ser que os filhos manifestem uma vontade em morar com o pai. Nesses casos é importante observar se há um interesse genuíno em relação ao afeto com o pai ou à possibilidade de ter uma vida psicologicamente mais solta que na companhia da mãe.

Nem sempre os acontecimentos seguem este padrão. Já vi homens sofrendo muito após o final de uma relação em que a mulher ficou com os filhos e se desdobrou em mil para estar com os pequenos. Assim como já vi muitas mulheres que ficaram muito mais independentes, dando pouca importância ao fato de ter que desempenhar seu papel de mãe.

O que é desvelado na maior parte das queixas é que durante o casamento ou após a separação há um grande risco que um dos pais se anule e passe a dedicar-se totalmente aos filhos. Esse tipo de mãe ou pai hipersolícito não está preparado para aceitar esta realidade, mas é natural que os filhos cresçam e se tornem cada vez mais independentes. Sei que é da vontade de muitos pais que os filhos cresçam, mas isso implica maior autonomia e vida própria, e por isso, em alguns momentos o filho se afastará um pouco dos pais. Esses pais não souberam viver para si mesmos, por viverem apenas para os filhos, então, é comum que se torne insuportável ver o filho fazer coisas que os pais sejam desnecessários, principalmente, quando ele estiver com o ex cônjuge.

Em um relacionamento familiar há diferenças e reajustes que fazem parte e podem, ao invés de destruir, construir novas relações. As novas configurações familiares após a separação podem confundir a cabeça dos pequenos, mas também podem ensinar muito sobre convivência, respeito, limite, diferenças e tolerância.

Para que essas novas relações se construam é preciso reconhecer a capacidade de cada integrante da família. Ao invés de ofender, agredir ou explorar os menos desenvolvidos, tentar ajudá-los. Não sabotar, menosprezar ou explorar o mais desenvolvido, mas reconhecê-lo e pedir ajuda. Quando entrarem em competições ou tentativas de humilhar um ao outro, associem-se e formem parceria. Ajudar, ser ajudado e formar parcerias são ações que acabam com as desigualdades de papeis e favorecem a inclusão de todos no processo de educação dos pequenos.

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

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