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castigo, consequência

TROCANDO O CASTIGO POR CONSEQUÊNCIA

O castigo é uma ferramenta utilizada por muitos pais, diferentemente do que se imagina ele não ajuda, apenas danifica ainda mais o que está arruinado. Então o que fazer com o mau comportamento do filho?

Muitas atitudes cometidas no passado como surra, descontrole emocional e prisão no quarto não funcionam como medida educativa e sim como perda afetiva. Várias outras medidas podem ser adotadas e por isso selecionei comportamentos comuns para apontar alternativas.

Vou compartilhar minha experiência que pode te ajudar também.

Lembre-se, para ter bons resultados é necessário ter um real interesse em transformar algo desagradável em uma coisa boa e principalmente abertura para uma troca genuína de afeto. Esses são alguns jeitos de diminuir um comportamento inadequado dos pequenos, cada um achará a sua forma para isso.

Outro dia estava em um restaurante. Na mesa atrás da minha havia um casal com um filho, de aproximadamente 7 anos. O garoto, a quem vou chamar de Felipe, não parava um instante sentado na cadeira. Felipe ficava um pouco sentado e um pouco correndo, empurrando as pessoas que passavam por ele.

Quando esbarrou em mim, dirigi a ele aquele olhar duro, de reprovação, como se dissesse: “Não admito que você faça isso!“. , então, correu para todas as direções, menos na minha.

A mãe demonstrava desânimo de tanto falar para o filho parar de correr. Cutucou o pai, que acabou dizendo: “Filho, desse jeito nunca mais vou trazer você de novo pra almoçar no restaurante.” E nada aconteceu. Voltar ou não para o restaurante era um problema futuro e significava que se ele não quisesse mesmo voltar, poderia continuar fazendo o que lhe passasse na cabeça, sem um mínimo de adequação. Como aquela ameaça não era cumprida pelos pais, ele não sentia a perda real.

Não cabia naquele momento, atuar como psicóloga inoportuna. No entanto, não pude permitir que o garoto tumultuasse meu horário de almoço. Então, impus a ele um limite com os olhos – você pode até aqui.

Percebeu que Felipe não respeitou os próprios pais, mas me respeitou? Provavelmente por que os pais perderam seu poder natural de pai e mãe e não fizeram valer sua autoridade educativa. Sua permissividade amorosa não ajuda a estabelecer para Felipe limites comportamentais necessários para uma boa convivência social.

Ficou nítido que todos sofrem com o comportamento de Felipe. Seria estranho não sofrer. A mãe, pela sensação de impotência; o pai, por se ver desautorizado ao permitir que sua fala fosse ignorada; Felipe, por ficar insatisfeito, apesar de ter feito tudo o que queria; e todos os outros que estavam no restaurante, por serem incomodados diante de uma situação que ninguém tinha controle.

Neste caso muitas medidas podem ser adotadas. Minha sugestão é estipular que Felipe não saia da mesa até que todos terminem o almoço. Ele precisa entender que não usufruir daquilo que gosta é de sua exclusiva responsabilidade, por isso os pais precisam cumprir com o que falaram. Ser livre para andar ou não no restaurante depende do que ele fizer. Isso é uma consequência do seu comportamento e não um castigo. A criança precisa se sentir prejudicada pela forma como se comportou e por isso não pode obter nenhum ganho. Ter a exclusividade de um dos pais, caso comece a chorar, nessa situação pode ser um ganho, portanto, cuidado!

É natural as crianças tentarem recuperar o que foi perdido. Por isso vão chorar, agredir, fazer cara feia, ficar mau humorado ou triste. Elas têm o direito de reagir. E os pais devem dizer: “Eu entendo que você esteja triste e com raiva, mas sua reação não vai mudar o que estabelecemos, pois você mesmo que causou isso”.

Se os pais estabelecem as consequências que eles mesmos ignoram sem perceber, isso apenas reforça que tudo o que é negado verbalmente é permitido no comportamento.

Os pais que usam de palavrão ou agressão para “educar” o filho deixam de usar os inúmeros recursos do cérebro para lidar com a pessoa que mais amam – o filho.

 

Com amor,

Ana Flávia Fernandes

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